30 de dezembro de 2010

Regressos

Regresso-me de muitas formas. Às vezes involuntariamente, às vezes forçosamente, às vezes como punição. Regresso-me em imagens, em sons, em cheiros, em segundos que parecem horas congeladas. Regresso-me em bilhetes de cinema, de espectáculos, em post-it's amarelos, em cartas gastas, em pássaros de papel, na caixa de recordações, naquela janela, em pequenos nadas que tornam cheio o meu interior. 
Em cada final de ano regresso a um outro, parado no tempo, a um desejo condensado que me trouxe até aqui. Revisito-me, relembro, renovo tudo o que me move, e a passagem de ano é somente isso, um regresso.

Até para o ano.

28 de dezembro de 2010

2011

Já que estive ausente da blogosfera durante a quadra natalícia (blogger desnaturada) antecipo-me já nos votos de um novo ano  cheio de saúde e amor (é o cliché mais verdadeiro e sentido que conheço) pois sem estas duas coisas nada mais se alcança.

Feliz Ano Novo a todos os que por aqui vão passando.

12 de dezembro de 2010

Resumo de uma noite

 Filipe Portugal aqui com Ana Lacerda (tirada na net porque no teatro logicamente não podia fotografar)


A minha ansiada soireé no S. Carlos foi deliciosa, apesar do Pinillos e da Ana Lacerda terem sido substituídos (ele ainda não está bem após a cirurgia ao menisco, e ela dançará apenas com ele no dia 17) não me senti minimamente defraudada. Acabei por ver a Alba Tapia, uma bailarina muito versátil e muito "fresca" nos petit allegros  e o Filipe Portugal que esteve muitíssimo bem, no papel de James que, quanto a mim lhe assentava como uma luva. Achei mesmo que, em comparação,  a prestação dele ofuscou por completo a dela, que sendo boa não teve o mesmo brilho nem chegou tanto ao público. Também gostaria de ter visto o Fernando Duarte mas fica para uma próxima. Ah e ainda vi a linda Mariana Horta, bailarina "sénior" da companhia que eu conheço, no papel de mãe.
La sylphide é um bailado em dois actos e relativamente pequeno isto porque a técnica de Bournonville (o coreógrafo original deste bailado) é muito exigente porque tem mais allegros (saltos e saltinhos) do que adagios e daí que haja um maior destaque para o bailarino que tem um oportunidade de mostrar todo o virtuosismo e controle técnico nos Petit Allegros (coisa para deixar qualquer um KO ao fim do primeiro) e um pouco nos Grands Allegro.
Mas foi uma estreia a outro nível: nunca tinha entrado no Teatro Nacional de S. Carlos (finais do Séc. XVIII, Neoclássico, réplica em escala reduzida do La Scala de Milão do arquitecto José da Costa e Silva) e nunca tinha assistido a um bailado com orquestra ao vivo. Foi mágico, um verdadeiro presente de Natal. A Orquestra Sinfónica Portuguesa, esteve muitíssimo bem (à parte duas fífias dos violinos), pela mão de Osvaldo Ferreira.
Foi das vezes que mais gostei de ver a CNB dançar clássico, estavam frescos e especialmente coordenados. A expressividade esteve à altura da exigência da técnica de Bournonville, fruto também dos ensaios específicos que tiveram com Frank Andersen.
Em suma, vim feliz.

10 de dezembro de 2010

Uma lição

Porque isto é serviço público ( e do bom) e porque o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa ainda faz comichão no cérebro de muita gente (até do meu mas cada vez menos porque comecei a estudá-lo), tudo a ler!!

9 de dezembro de 2010

Orgulho

Quando uma aluna falta à escola porque está doente mas bate o pé para estar presente no espectáculo que ia integrar à noite, sinto que tenho um lugar naquela vida, naquele coração e que algo de mim vou semeando. São estes frutos que dão sentido ao que faço.

3 de dezembro de 2010

As horas de 2011


Admiro as pessoas que sabem fazer bom uso dos seus dons ainda mais quando esses dons reflectem a sua própria beleza e alegria de viver.

A Joana, do Maria Mariquitas, é uma dessas pessoas e graças a ela as minhas horas de 2011 terão uma bela casa. Os seus trabalhos têm alma que se sente quando lhes tocamos porque nada é feito por acaso. E eu que não passo sem uma (ou várias) agenda fazia questão de ter uma feita por ela para o novo ano. Hoje o correio trouxe-a até mim junto com outras prendinhas para oferecer. Que bom!

1 de dezembro de 2010

Presente de Natal


No dia 11 ofereço-me o melhor presente de Natal: rumo à capital para ver La Sylphide pela CNB no Teatro S. Carlos com orquestra ao vivo e a Ana Lacerda e o Carlos Pinillos (o elenco é rotativo) !

Mais informações

28 de novembro de 2010

O amor maior




Há quatro anos o marido ofereceu-me esta jóia num gesto raro de espontaneidade. É a mais valiosa que tenho, não pelo diamante, não pelo valor de mercado mas pelo que simboliza. Ofereceu-mo após ter assistido ao nascimento do nosso filho representando por isso o meu amor maior.
Parabéns meu filho, um dia talvez leias o que por aqui vou deixando e verás como me enches de orgulho, todos os dias!

20 de novembro de 2010

Estado Clínico

A expectativa crónica ou a acção de "criar" expectativas acerca de algo coloca o paciente num estado de grande vulnerabilidade susceptível ao desenvolvimento de desilusão aguda com sintomas variados como suores frios, dores de estômago, insónia ou sono em excesso, tremores, mudez, entre outros.
A terapeutica a adoptar depende da natureza do paciente mas pode prescrever-se a leitura e/ou a toma de um tranquilizante sendo Diazepam o mais comum e o visonamento de uma novela (ou várias) até que faça efeito.
 Relativamente ao tratamento profiláctico (prevenção da mesma) recomenda-se não esperar grande coisa de coisa alguma. 

9 de novembro de 2010

Non sense

Procurei dar uma volta à minha vida, reorganizar os meus horários, ter mais disponibilidade para a casa, a família, o meu filho. Mas agora estou perdida nesta disponibilidade, sinto-me a pairar no tempo, a querer fazer tudo e não fazer nada apesar de estar sempre a fazer algo. Já não sei se ter tempo é a melhor opção para mim...Confuso, não?

1 de novembro de 2010

Com asas nos pés

Na minha adolescência e pré adolescência todas as minhas amigas tinham posters de rapazes e homens nos seus quartos. Eu também, posters, recortes de jornais e revistas, postais, VHS's. Elas coleccionavam e adoravam cantores, actores e mesmo jogadores de futebol. Eu idolatrava este semi-deus e só ele figurava no meu quarto. Ainda hoje. É um imortal.

26 de outubro de 2010

Indignação

É só o título da minha leitura actual. "Indignação" de Philip Roth. Mais uma leitura iniciática para mim, é o primeiro Roth que leio. Gosto. É envolvente mas claro e preciso nas emoções, nos ambientes, na escrita.

Apraz-me constatar que ao fim de praticamente 4 anos estou a recuperar gradualmente os meus tempos de leitura. Ler não é algo mensurável, não interessa ler ao quilo mas entristecia-me a falta que sentia de o poder fazer porque sabemos que nunca haverá tempo suficiente para ler tudo o que se desejaria. Jamais voltarei a ler quase um livro por semana (quando não dois) mas limitar-me a um por ano era insuportável. Estou a recuperar e, melhor, a descobrir autores novos também.

22 de outubro de 2010

Bom fim de semana

...

Pior do que as desilusões é a incapacidade de abortar as ilusões antes que pulsem.

21 de outubro de 2010

Sem complicações

Se falo, ouçam, não só com os ouvidos, mas com os olhos e a cabeça, não me interrompam, não me forcem ao silêncio; se recolho a mim, não me perguntem, adivinhem-me, não me peçam palavras, ouçam os meus silêncios, esperem...
Não sou complicada, é uma dicotomia simples.

19 de outubro de 2010

Dialéctica

Dialética

É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste...


Vinicius de Moraes

14 de outubro de 2010

Dores de parto



Olho para ti enquanto me dizes qualquer coisa sobre os cavalos da quinta ou os leões da selva, olho-te e meço-te e vejo-te crescer segundo a segundo. Ao orgulho pelo que és e no que te tornas junta-se um friozinho na barriga, um formigueiro nas mãos, uma leveza estranha nos braços por já não lhes caberes enrolado junto ao meu peito, pelas tuas asas começarem lentamente a sacudir-se, a ganhar espaço, pelas tuas palavras darem voz às tuas ideias e por lutares por elas. E às vezes lês-me o pensamento e abraças-me e dizes "gosto muito de ti" e a custo te liberto do abraço e fico a olhar-te, a medir-te, a ver-te crescer segundo a segundo e a sentir-me tremer, no coração, nas mãos, nos olhos. 

13 de outubro de 2010

12 de outubro de 2010

Sem título

Ando um bocado cansada: dos egoístas do asfalto que não dão pisca para nada porque cansa muito; dos que estacionam ocupando dois lugares; dos que atiram lixo para o chão desde piriscas a pacotes de cigarro amarrotado, de pastilhas elásticas a lenços de papel; das faltas de pontualidade; dos pais que são piores do que os filhos no incumprimento dos regulamentos; dos que sabem as regras do jogo mas não as cumprem só porque não; de pagar impostos para que outros usufruam de baixas (fraudulentas), licenças de maternidade (de 12 meses), gravidezes de risco (a partir dos 0 meses) e tantas outras aldrabices; de como a miséria de uns serve os propósitos de outros que fazem da solidariedade e da caridade um espectáculo público; de ver premiada a bandalhice, a falta de rigor, de ética e de qualidade; de ver como o parecer continua a superar o ser sem pudor.
Ando cansada de me sentir a remar contra a maré; de sentir que tenho potencialidades que não posso explorar; de me sentir desenquadrada...
Ando tão cansada que não me apetece sair à rua, não me apetecem as conversas de circunstância, não me apetece constatar a minha falta de habilidade para jogar este jogo. Valem-me os momentos preciosos com as minhas alunas para esquecer uma equação que claramente não sei resolver.

9 de outubro de 2010

Eclectismos

Tal como em tudo na minha vida também na blogosfera tenho um gosto variado e são vários os blogs que me despertam a atenção, uns porque são muito bem escritos e reflexivos; outros porque são apaixonados por algum tema em particular (fotografia, literatura, etc) e espelham-no de uma forma interessante e inteligente; outros ainda porque me fazem desejar ser dotada para a culinária/doçaria; outros porque me inspiram para a decoração, bricolage e coisas domésticas e outros simplesmente porque são bem humorados. Posto isto, não enquadro este blog em nenhuma categoria uma vez que se fala de tudo e de nada; não ruma em nenhuma direcção específica; não é metódico na sua periodicidade ou na escolha da temática; os posts são espontâneos sem agendamentos nem rascunhos; a escrita e as ideias não são originais ou especialmente inteligentes; o humor também não é o meu forte e do meu trabalho que é a minha paixão e se funde com um hobbie evito escrever sob pena de não "falar" de outra coisa. Talvez seja um reflexo desse eclectismo, talvez seja reflexo de indefinição, insegurança ou de outra coisa qualquer que não queira traduzir. Talvez não seja exactamente como eu gostaria e imaginei (um espaço onde conseguira lidar com as palavras) mas fez um ano (ainda que com algumas interrupções) que o inaugurei, pouco depois de ter descoberto a blogolândia, e se me arrependo de alguma coisa é só mesmo de ter extinguido a sua primeira parte (De Horas Contadas) num acto impulsivo e irreflectido.

6 de outubro de 2010

Experiências

Com quase 4 anos o meu filho nunca tinha ido ao mercado. Com 4 anos eu já lá tinha ido muitas vezes, com a minha avó principalmente mas também com os meus pais. Hoje para ir ao mercado fazemos mais km de carro e temos de pagar estacionamento mas a experiência que oferece e a qualidade do que se traz para casa vale a pena. No sábado de manhã lá fomos, os três e o saco das compras (a minha avó tinha uma ceira eu tenho um saco que se dobra todo, cabe na carteira e tem o mickey estampado a preto e branco). Escusado será dizer que o meu filho adorou. Adorou a simpatia das mulheres das bancas que se metiam com ele, adorou ser ele a colocar as cenouras num saquinho para a vendedora pesar em vez de me ver pegar num saco com cenouras raquíticas e sem sabor e atirar com ele para dentro de um carro de arame, adorou ser ele a pagar (entenda-se ir entregar a moeda à senhora e esperar o troco) e adorou correr as bancas connosco procurando o que mais nos agradava.
Porém, tudo é diferente nas minhas lembranças: havia no mercado mulheres com patos, coelhos, galos e galinhas e pintainhos vivos dentro de cestos e eu queria "fazer festinhas" a todos (e não comer nenhum); a minha avó não trazia nada pelo preço que lhe pediam e trazia tudo pelo preço que estava disposta a pagar e sabia escolher da fruta aos legumes do peixe à carne. Tinha uma arte de regatear (hoje diríamos de negociar o preço) que se ficou sem descendentes porque ela já não vai ao mercado e nós não o sabemos fazer por acanhamento ou por não ter experienciado as privações de outros tempos.
Escusado será dizer também que as compras do mercado proporcionaram sopa e saladas com sabor melhorado no fim de semana!

Atentados urbanísticos

O antigo Teatro Avenida de Coimbra




foi atentatoriamente demolido (talvez em finais dos oitenta, inicio dos noventa porque ainda me recordo bem) para a construção de um centro comercial que nunca foi bonito ou arquitectonicamente interessante, nunca foi muito popular em termos de comércio mas tinha 3 salas de cinema e estava, por isso, sempre cheio até uns 6/7 anos atrás. Agora continua lá, qual impostor, ocupando um espaço que não lhe pertencia, continua feio e sem interesse urbanístico e pior, também ele desértico, sem cinema, salas fechadas, uma desolação.


A cidade perdeu a oportunidade de renovar uma belíssima sala de espectáculos clássica, perdeu-se nos meandros dos interesses imobiliários e nada mais se fez. Dolce Vita - cinema; Forum - cinema; um ou outro espaço alternativo de pequenas dimensões e é tudo e é pena. Não há um espaço de espectáculos condigno. O Teatro Académico de Gil Vicente vai cumprindo a sua função mas o palco é exíguo para determinadas apresentações e as condições gerais estão longe de ser boas.
Se há coisas que me entristecem na minha adorada cidade esta é uma delas e parte-se-me o coração de cada vez que passo por esta Avenida.
E o pior é que não é caso único na cidade, nesta e em muitas outras.

1 de outubro de 2010

Defeito profissional

Ultimamente faltam-me as palavras e cada divagação/constatação surge ilustrada com imagens. 
Às vezes é assim e talvez porque no meu trabalho faça um exercício diário de procurar images que melhor ilustrem a dinâmica de um movimento; a engenharia do corpo e as engrenagens que têm de funcionar e como para obter uma determinada componente técnica; a emoção/sensação por detrás de cada música. Isto é fundamental para o ensino da dança em qualquer idade, com imagens adaptadas a cada faixa etária. Recorrendo a elas consegue-se que algumas coisas que não se vêem, se sintam e passem a ser visualizadas, dominando o abstracto e transformando-o em concreto, em técnica com sabor, com cheiro, com sentimento.
Não sei se é a isto que chamam de defeito profissional  mas certo é que muitas vezes e fora do contexto lectivo procuro imagens para ilustrar o meu pensamento e algumas vezes mais do que palavras. E se é defeito profissional tenho muitos outros.
Esta é uma dessas fases e por isso este blog de repente tenha mais imagens do que palavras mas não sou fotógrafa, só capto imagens, que fazem sentido, para mim.

Dois pesos, duas medidas

A mesma coisa pesa de formas diferentes em diferentes estádios de uma vida.

(Mercado D. Pedro V - Coimbra, secção hortícola)

29 de setembro de 2010

Sem filtros

(Av. Sá da Bandeira, Coimbra - edifício dos CTT)

24 de setembro de 2010

Velharias

Um mimo esta pequena riqueza, não resisti a trazê-la comigo, faz-me sorrir.

21 de setembro de 2010

An (em) Miranda

Eu fui a Miranda (do Douro) e não vi os pauliteiros (por pouco)...
Mas amei, cheirava à nossa cultura; à nossa essência; às nossas raízes. Lemos a nossa 2ª lhéngua (língua) oficial nos livros, nas placas toponímicas, nos folhetos turísticos; passeamos no Douro internacional num cruzeiro ambiental com respeito pelo silêncio que se impõe em zona protegida e casa de aves imponentes como o grifo e a águia real ou a cegonha negra. Pressentimos o orgulho na voz e a simpatia nos olhos. Saboreámos gastronomia típica, rica.
Sentimo-nos tão bem em sítios assim,  amamos sempre mais um pouco este nosso país quando fazemos descobertas destas. 
Partilharei aqui algumas imagens em breve.

12 de setembro de 2010

Felizes os pobres de espírito

Entre o circo Casa Pia, a opereta Queiroz e outras tantas touradas apetecia-me ter coragem para não ter televisão em casa... Mas vale-me o Canal Panda.

10 de setembro de 2010

À beira do estendal

Olho o meu estendal da roupa de novo com molas fruta cores, coisa que me irrita tremendamente mas que não tenho tempo nem paciência para contrariar,  e constato que não tenho obsessão de qualquer natureza nesta minha vida, nem com a casa, nem com o trabalho, nada... Também não tenho vícios, nada...

E o que diz isso de mim? Que sou saudável? Ou, pelo contrário, que sou acomodada, não suficientemente empenhada em nada, pouco determinada, meio-sal, que toda a vida me faltou saber bater o pé?

E no meio destas reflexões esta é a música que toca no ipod:


6 de setembro de 2010

Olhares



Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, Coimbra.

Reflexos



Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, Coimbra, reaberto ao público em 2009 com museu interpretativo, uma visita que vale realmente a pena (domingos e feriados até às 14h a entrada é gratuita).
http://www.acabra.net/artigos/mosteiro-de-santa-clara-a-velha-galardoado-com-europa-nostra-2010

Portugal dos Pequenitos

É sempre uma viagem...no tempo

1 de setembro de 2010

Tesourinho

Graças ao Youtube temos praticamente todas as memórias musicais e/ou videográficas da infância ao alcance de um click e lá está um dos tesourinhos dos anos 80.

Ana Faria , albúm "Brincando aos Clássicos", música da Ana (versão do Lago dos Cisnes!!!)

Setembro

Setembro é digno de nota, merece honras de chegada.
Cabe-lhe fechar a porta e abrir todas as janelas.
Tem luz e cheiro e tempo próprios.
Tem um sabor agridoce mas é leve e macio.

Tiro o relógio da gaveta.

25 de agosto de 2010

Queria mesmo

mesmo muito chegar a este espaço e conseguir colocar em palavras as ideias que me fervilham no espírito, que me fazem acordar após 3/4 horas de sono e ficar o resto da noite de olhos bem abertos a revê-las, refiná-las, dissecá-las... Queria mesmo, muito, saber escrevê-las. Mas não. 

24 de agosto de 2010

Fragilidade

Num dia somos de ferro, granito, aço, no outro de barro, vidro, papel e perante isto parece-me cada vez mais que vivemos ao contrário.

17 de agosto de 2010

Ramos de um mesmo tronco

Dou por mim a pensar no assunto, mais do que alguma vez fiz, cada vez mais.
Não tenho irmãos. Tenho lido e ouvido muitas pessoas sobre a "benção" de ter um irmão.
Não consigo imaginar como é ter alguém saído da mesma barriga, ter a mesma raiz e ser o outro ramo do mesmo tronco. Procuro imaginar outro alguém com quem pudesse compartilhar das mesmas regras, dividir os ralhetes e castigos, brincar, brigar, crescer. 
Não sei como é existir alguém que conheça a minha essência melhor do que ninguém, as minhas virtudes e fraquezas (os irmãos costumam saber melhor do que até os pais) e talvez fantasie demais pensando que é a peça do puzzle que falta na minha vida e que me sentiria mais acompanhada e completa com essa peça. Imagino alguém com quem conversar sobre tudo, alguém que mesmo longe se haveria sempre de afirmar presente, imagino os sobrinhos, meus sobrinhos de sangue, e as ceias de Natal e comemorações familiares...
Sei que há relações péssimas entre irmãos mas imagino que com um tronco como o meu os ramos haveriam sempre de estar bem unidos não poderia ser de outra forma.
Tive uma infância muito feliz mas o crescimento trouxe-me esta noção e sensação da solidão, da orfandade de um verdadeiro par.
Agora, como mãe, mais do que desejar ter outro filho gostava que o meu filho não fosse filho único e dou por mim pensando neste assunto, cada vez mais.

12 de agosto de 2010

Descobertas

Gosto de pegar num livro e ficar presa logo na primeira página, absorta nas linhas, criando imagens para as palavras, alheia ao passar do tempo; ao barulho; às pessoas e a mim.

Não acontece com frequência.

Aconteceu ontem quando e na sequência de uma conversa com um amigo que também nunca tinha lido este autor, resolvi pegar no "Manual dos Inquisidores" de António Lobo Antunes há muito esquecido na estante.

Rapidamente saí de mim, trespassei paredes, voei sobre telhados, o tempo deixou de existir, tudo ficou suspenso durante esta iniciática leitura.

Que boa descoberta.

10 de agosto de 2010

4 de agosto de 2010

Que alívio Senhora Ministra!

Estou muito mais descansada, aliviada, saiu-me o peso da incerteza dos ombros. Tenho agora a certeza que o meu filho será um excelente aluno, não que eu duvide das capacidades cognitivas do meu filho de 3 anos mas é sempre bom ter a certeza destas coisas. A senhora ministra da educação já está a tentar providenciar essa realidade. Senão vejamos, para que não existam chumbos (coisa vergonhosa em qualquer país, cruzes credo) os professores têm de pensar em estratégias de prevenção. Na realidade nem têm de pensar assim tanto: basta colocar os objectivos mínimos no piso -3 para que todos consigam chegar ao piso 0, é simples e todos os problemas do país serão resolvidos, seremos todos felizes como os do reino da Dinamarca. Assim, quem tiver olho em terra de cegos será rei e estudar vai ser, citando o meu marido "entrar no comboio no 1º ano e fazer uma tranquila viagem até ao 12º" ouvindo ipod, mandando sms's, jogando playstation ou vendo um filme (acrescento eu). Simples e seguro.
A própria senhora ministra terá uma vida muito mais tranquila: não terá de se preocupar em escrever mais livros porque não terá quem os saiba ler.

There's no place like home

As férias são uma delícia, andar sobre os dias sem as palpitações de horas de ponta ou o pânico de olhar para as listas de tarefas com mais de metade por riscar; conhecer novos lugares, provar costumes e sabores diferentes, sentirmo-nos livres e espontâneos, produzir memórias e guardá-las.
Mas outra parte do encanto das férias reside no regresso a casa. Sim, no regresso a  casa. No entrar no sítio que reconhecemos em tudo como o nosso, no sentir que não obstante todas as experiências vivenciadas não há qualquer outro lugar no mundo tão bom como a nossa casa. No olhar para todos os cantos, divisórias e objectos como se fosse a primeira vez, abrir as janelas e dar passagem a uma corrente de ar que sacode as cortinas, abana as plantas e nos faz sentir renovados e reconhecidos...

30 de julho de 2010

Recuerdo


Isto resume da melhor forma as minhas férias.

16 de julho de 2010

Férias

O relógio vai ficar na gaveta; o portátil fechado em casa; o telemóvel só para a família; sem maquilhagem; sem saltos; só um livro, um caderno, um lápis, uma máquina fotográfica, um roteiro. Vou livre, leve e feliz porque terei comigo tudo o que realmente preciso: a minha pequena família e tempo para ela.
Vai haver pausa por aqui, boas férias a todos!

15 de julho de 2010

Em playback

Há pessoas que passam a vida a fazer playback e não só a cantar. Pessoas que dizem sempre eu fiz, eu disse, eu pensei, mesmo que os actos, as palavras e as ideias sejam de outrem, mesmo que esse outrem esteja ao lado, sem pudor, sem respeito. É o playback da vida e a vida em playback.
Irrita-me, entristece-me. Posso orgulhar-me de ter tido como professores grandes mestres, aqui, na europa, no mundo, à cabeça a Professora Doutora Maria Helena da Rocha Pereira,  que nem do alto dos seus 85 anos, e nunca tendo tido necessidade de playback, usa a primeira pessoa mas sim o "nós", o "consideramos", o "pensamos" o que não se prende com a autoria legítima e inequívoca das suas obras mas com algo muito mais bonito, com humildade literária, com respeito. Gosto da verdade das acções. Não gosto de playback e desafino quando tenho de desafinar, assumidamente.

6 de julho de 2010

O blogger anda doido?

Já vi que estou longe de ser a única a queixar-me que os comentários não estão a surgir quando moderados como deviam ou então estão lá no espaço para os comentários mas continua a indicar que há 0 comentários... Será do calor?

Porque me estou a sentir leve...

Mulheres fascinantes

Há vários tipos de mulheres que admiro profundamente por motivos diferentes. Há um desses tipos que me fascina.
Não têm doutoramentos, não têm profissões radicais, não são estrelas de cinema nem cantoras, não são cultas nem viajadas, falam apenas português.
São mulheres que não suscitam um segundo olhar excepto, talvez, para a caricatura.
Mas são mulheres que não obstante a sua iliteracia e os limites aos seus horizontes são verdadeiras matriarcas que tomam as rédeas de uma família inteira, dos filhos (seus ou não), dos irmãos, dos sobrinhos, dos netos, muitas vezes dos bisnetos e que se impõem pelo saber cuidar e pela presença constante em todos os momentos, muitas vezes austeras, algumas vezes carinhosas. Mulheres que sabem exactamente quando fazer crescer a sopa para levar também à vizinha mesmo que não lha peçam e sem ficar para ouvir agradecimentos.
Uma estirpe de mulheres em vias de extinção com um forte sentido de responsabilidade, solidariedade, honra e respeito que não adquiriram nos bancos da faculdade e com uma sabedoria que não se mede num teste de QI.

2 de julho de 2010

Ontem foi assim, o final

O que não sai da cabeça

Ciclos

Quando um ciclo se fecha encerra nele uma certa tristeza, esperança, memórias e algum medo. Fechei um ciclo muito bonito e feliz da minha vida profissional com a despedida que referi antes. Fui brindada com homenagens sentidas e bonitas e saí com o coração, a alma e (porque não?) o ego cheios.

Outros ciclos se fecham, o ano lectivo chega ao fim, fecham temporariamente. Despedimo-nos com os espectáculos de encerramento, muito trabalhosos, muito stressantes mas muito felizes.

A minha vida está mais uma vez a reinventar-se, novos horários, novas rotinas, novos projectos, mais tranquilidade.

23 de junho de 2010

Uma parte de mim

Era assim há meses. Saia a pensar como ia ser, como daria a notícia e como essa iria ser recebida, fui-me despedindo secretamente, intimamente, aula a aula, exercício a exercício, correcção a correcção, música a música... dos gestos, das expressões, das vozes. É uma despedida voluntária, necessária mas pesada, com o peso de tudo o que é incomensurável e deixa-me dorida.
Deixou de ser secreta e íntima e estou ainda mais dorida, pelos gestos, as palavras, as expressões que de todas as formas me tentam demover e há olhares que cavam dentro de mim à procura de respostas para o futuro que não posso dar.
Falta pouco, sei das lágrimas e dos abraços, vai ser duro.

21 de junho de 2010

Os Significados
Não sei como tudo começou: suponho
que havia uma figura que depois
se estilhaçou para formar um puzzle.
Mas se juntarem todas as peças
talvez não haja nenhuma figura, e então
de que origem intacta partiu tudo
o que depois se quebrou? É impossível
fazer estilhaços de estilhaços sem uma
coerência primeira, agora ausente.
Quando todas as peças se juntam
estaremos reduzidos ainda a uma peça
de uma figura maior, ou essa figura
é uma utopia pragmática, instrumental,
que permite algum sentido ?
Ó significados, para vós, na infância,
tinha um caderno.

Pedro Mexia, in "Duplo Império"

18 de junho de 2010

O arquipélago da humanidade

Por mais que não queiramos cada homem é uma ilha sim.
Somos todos uma pequena ilha, por vezes e só por vezes, lançamos pontes para outra ilha mas pontes vulneráveis, volúveis,  efémeras, provisórias, a termo certo ou incerto. E quanto mais afundada for ficando uma ilha mais depressa lhe retiramos a ponte com receio de ir atrás.
A cada dia que passa mais provas tenho que sim, cada homem é uma ilha e o nosso mundo um imenso arquipélago.

...

Sei que muito se vai escrever um pouco por todo o lado mas soube-o agora mesmo: morreu um dos meus ídolos literários. Sou assumidamente fã de Saramago e sempre o defendi como génio literário que é durante as polémicas que ocasionalmente levantava (o que lhe agradava fazer). Já era fã antes do Nobel e rejubilei com esse galardão não só para ele mas para a Língua Portuguesa. De todas as obras que li ficou comigo alguma cena, personagem, nome ou imagem, como o cão achado, o Sr. José, o cão das lágrimas e tantas outras coisas.
O Homem parte mas a obra fica, estamos de luto mas não mais pobres. E tanto haveria para dizer mas como não tenho palavras suficientemente dignificantes fico por aqui na minha homenagem.

15 de junho de 2010

O meu patriotismo

Lamento mas não usarei lenços verde/vermelho ao pescoço, bandeira de Portugal às costas, vovuzela nos beiços ou cueca bicolor a condizer. Não, também não interromperei o trabalho para ver o jogo de futebol porque o país precisa de alegria sim mas mais ainda de produtividade.

8 de junho de 2010

Ainda a propósito..

Que sinal está a dar o governo aos jovens deste país quando propõe uma medida que abre a possibilidade de se saltar anos de ensino sem ter trabalhado para tal?! Não somos já um povo suficientemente negligente, displicente e pouco produtivo?!  Não havia já facilitismo a mais?! Estes jovens um dia mais tarde também não serão assíduos ao trabalho, serão adultos irresponsáveis que metem baixas falsas e tentam fazer o menos possível (e se calhar ainda serão premiados). É o simplex da educação?!
 Mais uma vez falta orgulho e brio e ainda dignidade no ensino deste país.
E desculpem a indignação...

1 de junho de 2010

Instrução ou o tesouro de outros tempos

Não sabia ler. A minha bisavó. Teve onze filhos e muitos mais netos, um deles o meu pai. Passava uma semana por ano em nossa casa, ensinou-me a rezar e a fazer a trança. Era pequenina e vestia preto pelo marido, que eu nunca conheci. Sabia apenas escrever o seu nome e fazia-o com letra desenhada e grande com um orgulho que não cabia no papel. Guardo essa memória e esse orgulho no livrinho de orações que me ofereceu na Primeira Comunhão.
O meu avô andou na escola, fez a instrução básica e bastava porque era preciso trabalhar e estudar não era para todos. Lembro a caligrafia perfeita e mais do que isso os seus números briosos, o 2 começava com uma bolinha na ponta e desenvolvia-se como um arabesco. Saber a aritmética (como dizia sempre), escrever e ler eram a sua possessão mais valiosa.
Por isto me entristece e envergonha que a instrução (no seu sentido mais abrangente) hoje, com posto de dado adquirido, seja tão pouco valorizada por quem a recebe que usa a escola para tudo menos para aprender e por quem toma as decisões que se preocupa mais com as estatísticas do que com a essência da educação e do ensino. 
Faltam orgulho e brio.

30 de maio de 2010

Adagio

Trazem em si as marcas da paixão numa amálgama de sofrimento e orgulho. Disformes e doloridos de anos de abuso, continuam sem folga ou férias, com queixas que sabem não alcançar ouvidos. Alongam-se viciadamente numa inquietude constante sem relaxamento previsto. Não sabem já de onde lhes vem a pressa e a sede...e a servidão. Olho-os muito, afago-os de quando em vez e admiro-lhes a força, a forma como se fincam no chão e me suportam de pé.