25 de agosto de 2010

Queria mesmo

mesmo muito chegar a este espaço e conseguir colocar em palavras as ideias que me fervilham no espírito, que me fazem acordar após 3/4 horas de sono e ficar o resto da noite de olhos bem abertos a revê-las, refiná-las, dissecá-las... Queria mesmo, muito, saber escrevê-las. Mas não. 

24 de agosto de 2010

Fragilidade

Num dia somos de ferro, granito, aço, no outro de barro, vidro, papel e perante isto parece-me cada vez mais que vivemos ao contrário.

17 de agosto de 2010

Ramos de um mesmo tronco

Dou por mim a pensar no assunto, mais do que alguma vez fiz, cada vez mais.
Não tenho irmãos. Tenho lido e ouvido muitas pessoas sobre a "benção" de ter um irmão.
Não consigo imaginar como é ter alguém saído da mesma barriga, ter a mesma raiz e ser o outro ramo do mesmo tronco. Procuro imaginar outro alguém com quem pudesse compartilhar das mesmas regras, dividir os ralhetes e castigos, brincar, brigar, crescer. 
Não sei como é existir alguém que conheça a minha essência melhor do que ninguém, as minhas virtudes e fraquezas (os irmãos costumam saber melhor do que até os pais) e talvez fantasie demais pensando que é a peça do puzzle que falta na minha vida e que me sentiria mais acompanhada e completa com essa peça. Imagino alguém com quem conversar sobre tudo, alguém que mesmo longe se haveria sempre de afirmar presente, imagino os sobrinhos, meus sobrinhos de sangue, e as ceias de Natal e comemorações familiares...
Sei que há relações péssimas entre irmãos mas imagino que com um tronco como o meu os ramos haveriam sempre de estar bem unidos não poderia ser de outra forma.
Tive uma infância muito feliz mas o crescimento trouxe-me esta noção e sensação da solidão, da orfandade de um verdadeiro par.
Agora, como mãe, mais do que desejar ter outro filho gostava que o meu filho não fosse filho único e dou por mim pensando neste assunto, cada vez mais.

12 de agosto de 2010

Descobertas

Gosto de pegar num livro e ficar presa logo na primeira página, absorta nas linhas, criando imagens para as palavras, alheia ao passar do tempo; ao barulho; às pessoas e a mim.

Não acontece com frequência.

Aconteceu ontem quando e na sequência de uma conversa com um amigo que também nunca tinha lido este autor, resolvi pegar no "Manual dos Inquisidores" de António Lobo Antunes há muito esquecido na estante.

Rapidamente saí de mim, trespassei paredes, voei sobre telhados, o tempo deixou de existir, tudo ficou suspenso durante esta iniciática leitura.

Que boa descoberta.

10 de agosto de 2010

4 de agosto de 2010

Que alívio Senhora Ministra!

Estou muito mais descansada, aliviada, saiu-me o peso da incerteza dos ombros. Tenho agora a certeza que o meu filho será um excelente aluno, não que eu duvide das capacidades cognitivas do meu filho de 3 anos mas é sempre bom ter a certeza destas coisas. A senhora ministra da educação já está a tentar providenciar essa realidade. Senão vejamos, para que não existam chumbos (coisa vergonhosa em qualquer país, cruzes credo) os professores têm de pensar em estratégias de prevenção. Na realidade nem têm de pensar assim tanto: basta colocar os objectivos mínimos no piso -3 para que todos consigam chegar ao piso 0, é simples e todos os problemas do país serão resolvidos, seremos todos felizes como os do reino da Dinamarca. Assim, quem tiver olho em terra de cegos será rei e estudar vai ser, citando o meu marido "entrar no comboio no 1º ano e fazer uma tranquila viagem até ao 12º" ouvindo ipod, mandando sms's, jogando playstation ou vendo um filme (acrescento eu). Simples e seguro.
A própria senhora ministra terá uma vida muito mais tranquila: não terá de se preocupar em escrever mais livros porque não terá quem os saiba ler.

There's no place like home

As férias são uma delícia, andar sobre os dias sem as palpitações de horas de ponta ou o pânico de olhar para as listas de tarefas com mais de metade por riscar; conhecer novos lugares, provar costumes e sabores diferentes, sentirmo-nos livres e espontâneos, produzir memórias e guardá-las.
Mas outra parte do encanto das férias reside no regresso a casa. Sim, no regresso a  casa. No entrar no sítio que reconhecemos em tudo como o nosso, no sentir que não obstante todas as experiências vivenciadas não há qualquer outro lugar no mundo tão bom como a nossa casa. No olhar para todos os cantos, divisórias e objectos como se fosse a primeira vez, abrir as janelas e dar passagem a uma corrente de ar que sacode as cortinas, abana as plantas e nos faz sentir renovados e reconhecidos...