17 de agosto de 2010

Ramos de um mesmo tronco

Dou por mim a pensar no assunto, mais do que alguma vez fiz, cada vez mais.
Não tenho irmãos. Tenho lido e ouvido muitas pessoas sobre a "benção" de ter um irmão.
Não consigo imaginar como é ter alguém saído da mesma barriga, ter a mesma raiz e ser o outro ramo do mesmo tronco. Procuro imaginar outro alguém com quem pudesse compartilhar das mesmas regras, dividir os ralhetes e castigos, brincar, brigar, crescer. 
Não sei como é existir alguém que conheça a minha essência melhor do que ninguém, as minhas virtudes e fraquezas (os irmãos costumam saber melhor do que até os pais) e talvez fantasie demais pensando que é a peça do puzzle que falta na minha vida e que me sentiria mais acompanhada e completa com essa peça. Imagino alguém com quem conversar sobre tudo, alguém que mesmo longe se haveria sempre de afirmar presente, imagino os sobrinhos, meus sobrinhos de sangue, e as ceias de Natal e comemorações familiares...
Sei que há relações péssimas entre irmãos mas imagino que com um tronco como o meu os ramos haveriam sempre de estar bem unidos não poderia ser de outra forma.
Tive uma infância muito feliz mas o crescimento trouxe-me esta noção e sensação da solidão, da orfandade de um verdadeiro par.
Agora, como mãe, mais do que desejar ter outro filho gostava que o meu filho não fosse filho único e dou por mim pensando neste assunto, cada vez mais.

8 comentários:

  1. Parece que é um facto: cada vez mais pais se ficam pelo filho único apesar da imensa vontade de ter a casa cheia. E este problema vai agravar-se. Quando se falam em apoios do género 750€ no acto do nascimento de cada novo filho, acho isso ridículo. Em muitos casos não se trata de uma questão de dinheiro, mas sim de pura incompatibilidade com o ritmo do dia-a-dia que levamos hoje.
    Cada vez se sai do emprego mais tarde e os infantários fecham entre as 17h e as 20h. Quem vai buscar o menino? Já para não falar nos pais que trabalham afastados centenas de km. Apoio à natalidade? Deveria ser sim, mas através da criação de políticas empresariais que a promovessem.

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  2. Hugo, esse é o busilis da questão, a vontade de "oferecer" um irmão ao meu filho versus a falta de condições para tal: horários diferentes do comum, pais afastados por motivos profissionais, falta de oferta de instituições com horários que cubram as necessidades de todos e não só dos funcionários públicos, etc, etc... Dá que pensar entre o querer dar ao meu filho algo que nunca tive e a dúvida de que possa ter disponibilidade para 2 quando já é quase nula para um só.

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  3. Olá!
    Tive a sorte de ter 5 irmãos, apesar da nossa infância não ter sido muito fácil e dita normal (crescemos num colégio aí em Coimbra) gosto muito de ter todos estes irmãos, é muito bom, somos super unidos, muito amigos uns dos outros.
    mas a vida actualmente não está nada fácil para se terem familias grandes e infelizmente.
    A minha irmã tem um filho e, pelos vistos, será o único!! São as novas familias.
    Beijinhos

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  4. Ana, tens toda a razão, o conceito de família mudou radicalmente, no meu tempo de criança ser-se filho único era pouco comum, na geração do meu filho pouco comum será ter-se irmãos.

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  5. pois é Cat, é lindo ter irmãos; mas os troncos podem ser bem diferentes! Este assunto sobre ter mais filhos daria para muita tinta...as opções de hoje são diferentes, os prazeres também, as abnegações, o que julgamos ser uma vida difícil...comparação com outros tempos... dá que pensar mas, vá lá...uma mano para o mano, eheheh :)

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  6. Olá Hellag, pano para mangas é de facto o que este tema oferece... Penso também que grande parte do "problema" reside precisamente no pensar demais!

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