6 de outubro de 2010

Experiências

Com quase 4 anos o meu filho nunca tinha ido ao mercado. Com 4 anos eu já lá tinha ido muitas vezes, com a minha avó principalmente mas também com os meus pais. Hoje para ir ao mercado fazemos mais km de carro e temos de pagar estacionamento mas a experiência que oferece e a qualidade do que se traz para casa vale a pena. No sábado de manhã lá fomos, os três e o saco das compras (a minha avó tinha uma ceira eu tenho um saco que se dobra todo, cabe na carteira e tem o mickey estampado a preto e branco). Escusado será dizer que o meu filho adorou. Adorou a simpatia das mulheres das bancas que se metiam com ele, adorou ser ele a colocar as cenouras num saquinho para a vendedora pesar em vez de me ver pegar num saco com cenouras raquíticas e sem sabor e atirar com ele para dentro de um carro de arame, adorou ser ele a pagar (entenda-se ir entregar a moeda à senhora e esperar o troco) e adorou correr as bancas connosco procurando o que mais nos agradava.
Porém, tudo é diferente nas minhas lembranças: havia no mercado mulheres com patos, coelhos, galos e galinhas e pintainhos vivos dentro de cestos e eu queria "fazer festinhas" a todos (e não comer nenhum); a minha avó não trazia nada pelo preço que lhe pediam e trazia tudo pelo preço que estava disposta a pagar e sabia escolher da fruta aos legumes do peixe à carne. Tinha uma arte de regatear (hoje diríamos de negociar o preço) que se ficou sem descendentes porque ela já não vai ao mercado e nós não o sabemos fazer por acanhamento ou por não ter experienciado as privações de outros tempos.
Escusado será dizer também que as compras do mercado proporcionaram sopa e saladas com sabor melhorado no fim de semana!

Atentados urbanísticos

O antigo Teatro Avenida de Coimbra




foi atentatoriamente demolido (talvez em finais dos oitenta, inicio dos noventa porque ainda me recordo bem) para a construção de um centro comercial que nunca foi bonito ou arquitectonicamente interessante, nunca foi muito popular em termos de comércio mas tinha 3 salas de cinema e estava, por isso, sempre cheio até uns 6/7 anos atrás. Agora continua lá, qual impostor, ocupando um espaço que não lhe pertencia, continua feio e sem interesse urbanístico e pior, também ele desértico, sem cinema, salas fechadas, uma desolação.


A cidade perdeu a oportunidade de renovar uma belíssima sala de espectáculos clássica, perdeu-se nos meandros dos interesses imobiliários e nada mais se fez. Dolce Vita - cinema; Forum - cinema; um ou outro espaço alternativo de pequenas dimensões e é tudo e é pena. Não há um espaço de espectáculos condigno. O Teatro Académico de Gil Vicente vai cumprindo a sua função mas o palco é exíguo para determinadas apresentações e as condições gerais estão longe de ser boas.
Se há coisas que me entristecem na minha adorada cidade esta é uma delas e parte-se-me o coração de cada vez que passo por esta Avenida.
E o pior é que não é caso único na cidade, nesta e em muitas outras.

1 de outubro de 2010

Defeito profissional

Ultimamente faltam-me as palavras e cada divagação/constatação surge ilustrada com imagens. 
Às vezes é assim e talvez porque no meu trabalho faça um exercício diário de procurar images que melhor ilustrem a dinâmica de um movimento; a engenharia do corpo e as engrenagens que têm de funcionar e como para obter uma determinada componente técnica; a emoção/sensação por detrás de cada música. Isto é fundamental para o ensino da dança em qualquer idade, com imagens adaptadas a cada faixa etária. Recorrendo a elas consegue-se que algumas coisas que não se vêem, se sintam e passem a ser visualizadas, dominando o abstracto e transformando-o em concreto, em técnica com sabor, com cheiro, com sentimento.
Não sei se é a isto que chamam de defeito profissional  mas certo é que muitas vezes e fora do contexto lectivo procuro imagens para ilustrar o meu pensamento e algumas vezes mais do que palavras. E se é defeito profissional tenho muitos outros.
Esta é uma dessas fases e por isso este blog de repente tenha mais imagens do que palavras mas não sou fotógrafa, só capto imagens, que fazem sentido, para mim.

Dois pesos, duas medidas

A mesma coisa pesa de formas diferentes em diferentes estádios de uma vida.

(Mercado D. Pedro V - Coimbra, secção hortícola)

29 de setembro de 2010

Sem filtros

(Av. Sá da Bandeira, Coimbra - edifício dos CTT)

24 de setembro de 2010

Velharias

Um mimo esta pequena riqueza, não resisti a trazê-la comigo, faz-me sorrir.

21 de setembro de 2010

An (em) Miranda

Eu fui a Miranda (do Douro) e não vi os pauliteiros (por pouco)...
Mas amei, cheirava à nossa cultura; à nossa essência; às nossas raízes. Lemos a nossa 2ª lhéngua (língua) oficial nos livros, nas placas toponímicas, nos folhetos turísticos; passeamos no Douro internacional num cruzeiro ambiental com respeito pelo silêncio que se impõe em zona protegida e casa de aves imponentes como o grifo e a águia real ou a cegonha negra. Pressentimos o orgulho na voz e a simpatia nos olhos. Saboreámos gastronomia típica, rica.
Sentimo-nos tão bem em sítios assim,  amamos sempre mais um pouco este nosso país quando fazemos descobertas destas. 
Partilharei aqui algumas imagens em breve.

12 de setembro de 2010

Felizes os pobres de espírito

Entre o circo Casa Pia, a opereta Queiroz e outras tantas touradas apetecia-me ter coragem para não ter televisão em casa... Mas vale-me o Canal Panda.

10 de setembro de 2010

À beira do estendal

Olho o meu estendal da roupa de novo com molas fruta cores, coisa que me irrita tremendamente mas que não tenho tempo nem paciência para contrariar,  e constato que não tenho obsessão de qualquer natureza nesta minha vida, nem com a casa, nem com o trabalho, nada... Também não tenho vícios, nada...

E o que diz isso de mim? Que sou saudável? Ou, pelo contrário, que sou acomodada, não suficientemente empenhada em nada, pouco determinada, meio-sal, que toda a vida me faltou saber bater o pé?

E no meio destas reflexões esta é a música que toca no ipod:


6 de setembro de 2010

Olhares



Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, Coimbra.

Reflexos



Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, Coimbra, reaberto ao público em 2009 com museu interpretativo, uma visita que vale realmente a pena (domingos e feriados até às 14h a entrada é gratuita).
http://www.acabra.net/artigos/mosteiro-de-santa-clara-a-velha-galardoado-com-europa-nostra-2010

Portugal dos Pequenitos

É sempre uma viagem...no tempo

1 de setembro de 2010

Tesourinho

Graças ao Youtube temos praticamente todas as memórias musicais e/ou videográficas da infância ao alcance de um click e lá está um dos tesourinhos dos anos 80.

Ana Faria , albúm "Brincando aos Clássicos", música da Ana (versão do Lago dos Cisnes!!!)

Setembro

Setembro é digno de nota, merece honras de chegada.
Cabe-lhe fechar a porta e abrir todas as janelas.
Tem luz e cheiro e tempo próprios.
Tem um sabor agridoce mas é leve e macio.

Tiro o relógio da gaveta.

25 de agosto de 2010

Queria mesmo

mesmo muito chegar a este espaço e conseguir colocar em palavras as ideias que me fervilham no espírito, que me fazem acordar após 3/4 horas de sono e ficar o resto da noite de olhos bem abertos a revê-las, refiná-las, dissecá-las... Queria mesmo, muito, saber escrevê-las. Mas não. 

24 de agosto de 2010

Fragilidade

Num dia somos de ferro, granito, aço, no outro de barro, vidro, papel e perante isto parece-me cada vez mais que vivemos ao contrário.

17 de agosto de 2010

Ramos de um mesmo tronco

Dou por mim a pensar no assunto, mais do que alguma vez fiz, cada vez mais.
Não tenho irmãos. Tenho lido e ouvido muitas pessoas sobre a "benção" de ter um irmão.
Não consigo imaginar como é ter alguém saído da mesma barriga, ter a mesma raiz e ser o outro ramo do mesmo tronco. Procuro imaginar outro alguém com quem pudesse compartilhar das mesmas regras, dividir os ralhetes e castigos, brincar, brigar, crescer. 
Não sei como é existir alguém que conheça a minha essência melhor do que ninguém, as minhas virtudes e fraquezas (os irmãos costumam saber melhor do que até os pais) e talvez fantasie demais pensando que é a peça do puzzle que falta na minha vida e que me sentiria mais acompanhada e completa com essa peça. Imagino alguém com quem conversar sobre tudo, alguém que mesmo longe se haveria sempre de afirmar presente, imagino os sobrinhos, meus sobrinhos de sangue, e as ceias de Natal e comemorações familiares...
Sei que há relações péssimas entre irmãos mas imagino que com um tronco como o meu os ramos haveriam sempre de estar bem unidos não poderia ser de outra forma.
Tive uma infância muito feliz mas o crescimento trouxe-me esta noção e sensação da solidão, da orfandade de um verdadeiro par.
Agora, como mãe, mais do que desejar ter outro filho gostava que o meu filho não fosse filho único e dou por mim pensando neste assunto, cada vez mais.

12 de agosto de 2010

Descobertas

Gosto de pegar num livro e ficar presa logo na primeira página, absorta nas linhas, criando imagens para as palavras, alheia ao passar do tempo; ao barulho; às pessoas e a mim.

Não acontece com frequência.

Aconteceu ontem quando e na sequência de uma conversa com um amigo que também nunca tinha lido este autor, resolvi pegar no "Manual dos Inquisidores" de António Lobo Antunes há muito esquecido na estante.

Rapidamente saí de mim, trespassei paredes, voei sobre telhados, o tempo deixou de existir, tudo ficou suspenso durante esta iniciática leitura.

Que boa descoberta.