30 de dezembro de 2010

Regressos

Regresso-me de muitas formas. Às vezes involuntariamente, às vezes forçosamente, às vezes como punição. Regresso-me em imagens, em sons, em cheiros, em segundos que parecem horas congeladas. Regresso-me em bilhetes de cinema, de espectáculos, em post-it's amarelos, em cartas gastas, em pássaros de papel, na caixa de recordações, naquela janela, em pequenos nadas que tornam cheio o meu interior. 
Em cada final de ano regresso a um outro, parado no tempo, a um desejo condensado que me trouxe até aqui. Revisito-me, relembro, renovo tudo o que me move, e a passagem de ano é somente isso, um regresso.

Até para o ano.

28 de dezembro de 2010

2011

Já que estive ausente da blogosfera durante a quadra natalícia (blogger desnaturada) antecipo-me já nos votos de um novo ano  cheio de saúde e amor (é o cliché mais verdadeiro e sentido que conheço) pois sem estas duas coisas nada mais se alcança.

Feliz Ano Novo a todos os que por aqui vão passando.

12 de dezembro de 2010

Resumo de uma noite

 Filipe Portugal aqui com Ana Lacerda (tirada na net porque no teatro logicamente não podia fotografar)


A minha ansiada soireé no S. Carlos foi deliciosa, apesar do Pinillos e da Ana Lacerda terem sido substituídos (ele ainda não está bem após a cirurgia ao menisco, e ela dançará apenas com ele no dia 17) não me senti minimamente defraudada. Acabei por ver a Alba Tapia, uma bailarina muito versátil e muito "fresca" nos petit allegros  e o Filipe Portugal que esteve muitíssimo bem, no papel de James que, quanto a mim lhe assentava como uma luva. Achei mesmo que, em comparação,  a prestação dele ofuscou por completo a dela, que sendo boa não teve o mesmo brilho nem chegou tanto ao público. Também gostaria de ter visto o Fernando Duarte mas fica para uma próxima. Ah e ainda vi a linda Mariana Horta, bailarina "sénior" da companhia que eu conheço, no papel de mãe.
La sylphide é um bailado em dois actos e relativamente pequeno isto porque a técnica de Bournonville (o coreógrafo original deste bailado) é muito exigente porque tem mais allegros (saltos e saltinhos) do que adagios e daí que haja um maior destaque para o bailarino que tem um oportunidade de mostrar todo o virtuosismo e controle técnico nos Petit Allegros (coisa para deixar qualquer um KO ao fim do primeiro) e um pouco nos Grands Allegro.
Mas foi uma estreia a outro nível: nunca tinha entrado no Teatro Nacional de S. Carlos (finais do Séc. XVIII, Neoclássico, réplica em escala reduzida do La Scala de Milão do arquitecto José da Costa e Silva) e nunca tinha assistido a um bailado com orquestra ao vivo. Foi mágico, um verdadeiro presente de Natal. A Orquestra Sinfónica Portuguesa, esteve muitíssimo bem (à parte duas fífias dos violinos), pela mão de Osvaldo Ferreira.
Foi das vezes que mais gostei de ver a CNB dançar clássico, estavam frescos e especialmente coordenados. A expressividade esteve à altura da exigência da técnica de Bournonville, fruto também dos ensaios específicos que tiveram com Frank Andersen.
Em suma, vim feliz.

10 de dezembro de 2010

Uma lição

Porque isto é serviço público ( e do bom) e porque o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa ainda faz comichão no cérebro de muita gente (até do meu mas cada vez menos porque comecei a estudá-lo), tudo a ler!!

9 de dezembro de 2010

Orgulho

Quando uma aluna falta à escola porque está doente mas bate o pé para estar presente no espectáculo que ia integrar à noite, sinto que tenho um lugar naquela vida, naquele coração e que algo de mim vou semeando. São estes frutos que dão sentido ao que faço.

3 de dezembro de 2010

As horas de 2011


Admiro as pessoas que sabem fazer bom uso dos seus dons ainda mais quando esses dons reflectem a sua própria beleza e alegria de viver.

A Joana, do Maria Mariquitas, é uma dessas pessoas e graças a ela as minhas horas de 2011 terão uma bela casa. Os seus trabalhos têm alma que se sente quando lhes tocamos porque nada é feito por acaso. E eu que não passo sem uma (ou várias) agenda fazia questão de ter uma feita por ela para o novo ano. Hoje o correio trouxe-a até mim junto com outras prendinhas para oferecer. Que bom!

1 de dezembro de 2010

Presente de Natal


No dia 11 ofereço-me o melhor presente de Natal: rumo à capital para ver La Sylphide pela CNB no Teatro S. Carlos com orquestra ao vivo e a Ana Lacerda e o Carlos Pinillos (o elenco é rotativo) !

Mais informações

28 de novembro de 2010

O amor maior




Há quatro anos o marido ofereceu-me esta jóia num gesto raro de espontaneidade. É a mais valiosa que tenho, não pelo diamante, não pelo valor de mercado mas pelo que simboliza. Ofereceu-mo após ter assistido ao nascimento do nosso filho representando por isso o meu amor maior.
Parabéns meu filho, um dia talvez leias o que por aqui vou deixando e verás como me enches de orgulho, todos os dias!

20 de novembro de 2010

Estado Clínico

A expectativa crónica ou a acção de "criar" expectativas acerca de algo coloca o paciente num estado de grande vulnerabilidade susceptível ao desenvolvimento de desilusão aguda com sintomas variados como suores frios, dores de estômago, insónia ou sono em excesso, tremores, mudez, entre outros.
A terapeutica a adoptar depende da natureza do paciente mas pode prescrever-se a leitura e/ou a toma de um tranquilizante sendo Diazepam o mais comum e o visonamento de uma novela (ou várias) até que faça efeito.
 Relativamente ao tratamento profiláctico (prevenção da mesma) recomenda-se não esperar grande coisa de coisa alguma. 

9 de novembro de 2010

Non sense

Procurei dar uma volta à minha vida, reorganizar os meus horários, ter mais disponibilidade para a casa, a família, o meu filho. Mas agora estou perdida nesta disponibilidade, sinto-me a pairar no tempo, a querer fazer tudo e não fazer nada apesar de estar sempre a fazer algo. Já não sei se ter tempo é a melhor opção para mim...Confuso, não?

1 de novembro de 2010

Com asas nos pés

Na minha adolescência e pré adolescência todas as minhas amigas tinham posters de rapazes e homens nos seus quartos. Eu também, posters, recortes de jornais e revistas, postais, VHS's. Elas coleccionavam e adoravam cantores, actores e mesmo jogadores de futebol. Eu idolatrava este semi-deus e só ele figurava no meu quarto. Ainda hoje. É um imortal.

26 de outubro de 2010

Indignação

É só o título da minha leitura actual. "Indignação" de Philip Roth. Mais uma leitura iniciática para mim, é o primeiro Roth que leio. Gosto. É envolvente mas claro e preciso nas emoções, nos ambientes, na escrita.

Apraz-me constatar que ao fim de praticamente 4 anos estou a recuperar gradualmente os meus tempos de leitura. Ler não é algo mensurável, não interessa ler ao quilo mas entristecia-me a falta que sentia de o poder fazer porque sabemos que nunca haverá tempo suficiente para ler tudo o que se desejaria. Jamais voltarei a ler quase um livro por semana (quando não dois) mas limitar-me a um por ano era insuportável. Estou a recuperar e, melhor, a descobrir autores novos também.

22 de outubro de 2010

Bom fim de semana

...

Pior do que as desilusões é a incapacidade de abortar as ilusões antes que pulsem.

21 de outubro de 2010

Sem complicações

Se falo, ouçam, não só com os ouvidos, mas com os olhos e a cabeça, não me interrompam, não me forcem ao silêncio; se recolho a mim, não me perguntem, adivinhem-me, não me peçam palavras, ouçam os meus silêncios, esperem...
Não sou complicada, é uma dicotomia simples.

19 de outubro de 2010

Dialéctica

Dialética

É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste...


Vinicius de Moraes

14 de outubro de 2010

Dores de parto



Olho para ti enquanto me dizes qualquer coisa sobre os cavalos da quinta ou os leões da selva, olho-te e meço-te e vejo-te crescer segundo a segundo. Ao orgulho pelo que és e no que te tornas junta-se um friozinho na barriga, um formigueiro nas mãos, uma leveza estranha nos braços por já não lhes caberes enrolado junto ao meu peito, pelas tuas asas começarem lentamente a sacudir-se, a ganhar espaço, pelas tuas palavras darem voz às tuas ideias e por lutares por elas. E às vezes lês-me o pensamento e abraças-me e dizes "gosto muito de ti" e a custo te liberto do abraço e fico a olhar-te, a medir-te, a ver-te crescer segundo a segundo e a sentir-me tremer, no coração, nas mãos, nos olhos. 

13 de outubro de 2010

12 de outubro de 2010

Sem título

Ando um bocado cansada: dos egoístas do asfalto que não dão pisca para nada porque cansa muito; dos que estacionam ocupando dois lugares; dos que atiram lixo para o chão desde piriscas a pacotes de cigarro amarrotado, de pastilhas elásticas a lenços de papel; das faltas de pontualidade; dos pais que são piores do que os filhos no incumprimento dos regulamentos; dos que sabem as regras do jogo mas não as cumprem só porque não; de pagar impostos para que outros usufruam de baixas (fraudulentas), licenças de maternidade (de 12 meses), gravidezes de risco (a partir dos 0 meses) e tantas outras aldrabices; de como a miséria de uns serve os propósitos de outros que fazem da solidariedade e da caridade um espectáculo público; de ver premiada a bandalhice, a falta de rigor, de ética e de qualidade; de ver como o parecer continua a superar o ser sem pudor.
Ando cansada de me sentir a remar contra a maré; de sentir que tenho potencialidades que não posso explorar; de me sentir desenquadrada...
Ando tão cansada que não me apetece sair à rua, não me apetecem as conversas de circunstância, não me apetece constatar a minha falta de habilidade para jogar este jogo. Valem-me os momentos preciosos com as minhas alunas para esquecer uma equação que claramente não sei resolver.

9 de outubro de 2010

Eclectismos

Tal como em tudo na minha vida também na blogosfera tenho um gosto variado e são vários os blogs que me despertam a atenção, uns porque são muito bem escritos e reflexivos; outros porque são apaixonados por algum tema em particular (fotografia, literatura, etc) e espelham-no de uma forma interessante e inteligente; outros ainda porque me fazem desejar ser dotada para a culinária/doçaria; outros porque me inspiram para a decoração, bricolage e coisas domésticas e outros simplesmente porque são bem humorados. Posto isto, não enquadro este blog em nenhuma categoria uma vez que se fala de tudo e de nada; não ruma em nenhuma direcção específica; não é metódico na sua periodicidade ou na escolha da temática; os posts são espontâneos sem agendamentos nem rascunhos; a escrita e as ideias não são originais ou especialmente inteligentes; o humor também não é o meu forte e do meu trabalho que é a minha paixão e se funde com um hobbie evito escrever sob pena de não "falar" de outra coisa. Talvez seja um reflexo desse eclectismo, talvez seja reflexo de indefinição, insegurança ou de outra coisa qualquer que não queira traduzir. Talvez não seja exactamente como eu gostaria e imaginei (um espaço onde conseguira lidar com as palavras) mas fez um ano (ainda que com algumas interrupções) que o inaugurei, pouco depois de ter descoberto a blogolândia, e se me arrependo de alguma coisa é só mesmo de ter extinguido a sua primeira parte (De Horas Contadas) num acto impulsivo e irreflectido.