Há muito que percebo pequenos sinais de que a vida é mais do que nos é dado a compreender. São as pequenas coisas que parecendo acasos, coincidências, não o são. São as pessoas que chegam até nós, que tocam a nossa vida e fazem a diferença, muitas vezes não presencialmente. São os abraços que nos chegam de muitas formas, com ou sem braços. São os momentos em que percebemos um propósito maior nas nossas ações. São as certezas que temos sem saber como. São os medos, as dores de alma e as comoções sem explicação. São muitos os sinais, discretos, sorrateiros, mais percetíveis por uns do que por outros. Cada vez mais acredito que a vida não é só isto, o habitarmos este planeta durante um período tão curto. Acredito que somos peões de um grande jogo do qual muito poucos saberão as regras, pelo menos neste plano. Haverá um momento da revelação. Quando o invólucro de mim perecer sei que vou dizer " Se soubesse o que sei hoje..."
24 de março de 2011
23 de fevereiro de 2011
Credo
Creio nos anjos
que andam pelo mundo
Creio na deusa
com olhos de diamante
Creio em amores lunares
com piano ao fundo,
Creio nas lendas,
nas fadas, nos atlantes,
que andam pelo mundo
Creio na deusa
com olhos de diamante
Creio em amores lunares
com piano ao fundo,
Creio nas lendas,
nas fadas, nos atlantes,
Creio num engenho
que falta mais fecundo
De harmonizar
as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno
num segundo,
Creio num céu futuro
que houve dantes,
que falta mais fecundo
De harmonizar
as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno
num segundo,
Creio num céu futuro
que houve dantes,
Creio nos deuses
de um astral mais puro,
Na flor humilde
que se encosta no muro
Creio na carne
que enfeitiça o além
de um astral mais puro,
Na flor humilde
que se encosta no muro
Creio na carne
que enfeitiça o além
Creio no incrível,
nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo
pelas rosas,
Creio que o amor que tem asas
de ouro. Amén
nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo
pelas rosas,
Creio que o amor que tem asas
de ouro. Amén
Natália Correia
(maravilhoso cantado pela voz da Ana Moura)
22 de fevereiro de 2011
Primeiro Beijo
Aposto que não se lembram bem como foi, se o combinaram na escola, se na catequese ou no autocarro mas combinaram. No dia marcado foram decididos, subiram ao primeiro andar, baixaram-se para ficar ao abrigo de qualquer olhar e cumpriram o seu objetivo. Juntaram os lábios e talvez até tenham fechado os olhos como nas novelas. Só para ver como era. E guardaram segredo.
31 de janeiro de 2011
22 de janeiro de 2011
S/T
Por cada vez que estamos com alguém que amamos há 50% de hipóteses de ser a última.
É assustadoramente verdade.
Feitas as contas acho que se perdem muitas oportunidades, desperdiça-se muito tempo, as prioridades andam trocadas e o que mais me incomoda é que apesar de sabermos tudo isto, nada muda, estamos formatados, mal formatados.
Um dia faço um reset, só temo que seja irremediavelmente tarde.
É assustadoramente verdade.
Feitas as contas acho que se perdem muitas oportunidades, desperdiça-se muito tempo, as prioridades andam trocadas e o que mais me incomoda é que apesar de sabermos tudo isto, nada muda, estamos formatados, mal formatados.
Um dia faço um reset, só temo que seja irremediavelmente tarde.
19 de janeiro de 2011
Pequenas coisas
Ontem tive a confirmação de que precisamos de fazer coisas diferentes e aceitar novos desafios ainda que inesperados para nos sentirmos vivos e não precisam de ser feitos grandiosos podem ser pequenas coisas.
Ontem fiz uma dessas pequenas coisas, sem contar, atendendo a um pedido, algo novo para mim, e correu tão bem e senti-me tão viva... Em boa hora aceitei o desafio e espero que muitos outros vão surgindo desta forma, para me sentir pulsar assim.
Ontem fiz uma dessas pequenas coisas, sem contar, atendendo a um pedido, algo novo para mim, e correu tão bem e senti-me tão viva... Em boa hora aceitei o desafio e espero que muitos outros vão surgindo desta forma, para me sentir pulsar assim.
9 de janeiro de 2011
6 de janeiro de 2011
Juro
Os dias em que estou em modo "sargento d'infantaria" são os preferidos das minhas alunas. Devem estar fartas de moleza o dia todo...
5 de janeiro de 2011
35 velas
Sim hoje é o meu dia.
A vida é mesmo um grande mistério, sinto como se tivesse sido ontem o meu primeiro dia de escola e hoje a partir das 22h00 tenho oficialmente 35 anos de vida.
Oficialmente porque a idade não se conta em anos.
Parabéns a mim e aos meus pais.
30 de dezembro de 2010
Regressos
Regresso-me de muitas formas. Às vezes involuntariamente, às vezes forçosamente, às vezes como punição. Regresso-me em imagens, em sons, em cheiros, em segundos que parecem horas congeladas. Regresso-me em bilhetes de cinema, de espectáculos, em post-it's amarelos, em cartas gastas, em pássaros de papel, na caixa de recordações, naquela janela, em pequenos nadas que tornam cheio o meu interior.
Em cada final de ano regresso a um outro, parado no tempo, a um desejo condensado que me trouxe até aqui. Revisito-me, relembro, renovo tudo o que me move, e a passagem de ano é somente isso, um regresso.
Até para o ano.
28 de dezembro de 2010
2011
Já que estive ausente da blogosfera durante a quadra natalícia (blogger desnaturada) antecipo-me já nos votos de um novo ano cheio de saúde e amor (é o cliché mais verdadeiro e sentido que conheço) pois sem estas duas coisas nada mais se alcança.
Feliz Ano Novo a todos os que por aqui vão passando.
12 de dezembro de 2010
Resumo de uma noite
Filipe Portugal aqui com Ana Lacerda (tirada na net porque no teatro logicamente não podia fotografar)
A minha ansiada soireé no S. Carlos foi deliciosa, apesar do Pinillos e da Ana Lacerda terem sido substituídos (ele ainda não está bem após a cirurgia ao menisco, e ela dançará apenas com ele no dia 17) não me senti minimamente defraudada. Acabei por ver a Alba Tapia, uma bailarina muito versátil e muito "fresca" nos petit allegros e o Filipe Portugal que esteve muitíssimo bem, no papel de James que, quanto a mim lhe assentava como uma luva. Achei mesmo que, em comparação, a prestação dele ofuscou por completo a dela, que sendo boa não teve o mesmo brilho nem chegou tanto ao público. Também gostaria de ter visto o Fernando Duarte mas fica para uma próxima. Ah e ainda vi a linda Mariana Horta, bailarina "sénior" da companhia que eu conheço, no papel de mãe.
La sylphide é um bailado em dois actos e relativamente pequeno isto porque a técnica de Bournonville (o coreógrafo original deste bailado) é muito exigente porque tem mais allegros (saltos e saltinhos) do que adagios e daí que haja um maior destaque para o bailarino que tem um oportunidade de mostrar todo o virtuosismo e controle técnico nos Petit Allegros (coisa para deixar qualquer um KO ao fim do primeiro) e um pouco nos Grands Allegro.
Mas foi uma estreia a outro nível: nunca tinha entrado no Teatro Nacional de S. Carlos (finais do Séc. XVIII, Neoclássico, réplica em escala reduzida do La Scala de Milão do arquitecto José da Costa e Silva) e nunca tinha assistido a um bailado com orquestra ao vivo. Foi mágico, um verdadeiro presente de Natal. A Orquestra Sinfónica Portuguesa, esteve muitíssimo bem (à parte duas fífias dos violinos), pela mão de Osvaldo Ferreira.
Foi das vezes que mais gostei de ver a CNB dançar clássico, estavam frescos e especialmente coordenados. A expressividade esteve à altura da exigência da técnica de Bournonville, fruto também dos ensaios específicos que tiveram com Frank Andersen.
Em suma, vim feliz.
10 de dezembro de 2010
9 de dezembro de 2010
Orgulho
Quando uma aluna falta à escola porque está doente mas bate o pé para estar presente no espectáculo que ia integrar à noite, sinto que tenho um lugar naquela vida, naquele coração e que algo de mim vou semeando. São estes frutos que dão sentido ao que faço.
3 de dezembro de 2010
As horas de 2011
Admiro as pessoas que sabem fazer bom uso dos seus dons ainda mais quando esses dons reflectem a sua própria beleza e alegria de viver.
A Joana, do Maria Mariquitas, é uma dessas pessoas e graças a ela as minhas horas de 2011 terão uma bela casa. Os seus trabalhos têm alma que se sente quando lhes tocamos porque nada é feito por acaso. E eu que não passo sem uma (ou várias) agenda fazia questão de ter uma feita por ela para o novo ano. Hoje o correio trouxe-a até mim junto com outras prendinhas para oferecer. Que bom!
1 de dezembro de 2010
Presente de Natal
No dia 11 ofereço-me o melhor presente de Natal: rumo à capital para ver La Sylphide pela CNB no Teatro S. Carlos com orquestra ao vivo e a Ana Lacerda e o Carlos Pinillos (o elenco é rotativo) !
Mais informações
28 de novembro de 2010
O amor maior
Há quatro anos o marido ofereceu-me esta jóia num gesto raro de espontaneidade. É a mais valiosa que tenho, não pelo diamante, não pelo valor de mercado mas pelo que simboliza. Ofereceu-mo após ter assistido ao nascimento do nosso filho representando por isso o meu amor maior.
Parabéns meu filho, um dia talvez leias o que por aqui vou deixando e verás como me enches de orgulho, todos os dias!
20 de novembro de 2010
Estado Clínico
A expectativa crónica ou a acção de "criar" expectativas acerca de algo coloca o paciente num estado de grande vulnerabilidade susceptível ao desenvolvimento de desilusão aguda com sintomas variados como suores frios, dores de estômago, insónia ou sono em excesso, tremores, mudez, entre outros.
A terapeutica a adoptar depende da natureza do paciente mas pode prescrever-se a leitura e/ou a toma de um tranquilizante sendo Diazepam o mais comum e o visonamento de uma novela (ou várias) até que faça efeito.
Relativamente ao tratamento profiláctico (prevenção da mesma) recomenda-se não esperar grande coisa de coisa alguma.
9 de novembro de 2010
Non sense
Procurei dar uma volta à minha vida, reorganizar os meus horários, ter mais disponibilidade para a casa, a família, o meu filho. Mas agora estou perdida nesta disponibilidade, sinto-me a pairar no tempo, a querer fazer tudo e não fazer nada apesar de estar sempre a fazer algo. Já não sei se ter tempo é a melhor opção para mim...Confuso, não?
1 de novembro de 2010
Com asas nos pés
Na minha adolescência e pré adolescência todas as minhas amigas tinham posters de rapazes e homens nos seus quartos. Eu também, posters, recortes de jornais e revistas, postais, VHS's. Elas coleccionavam e adoravam cantores, actores e mesmo jogadores de futebol. Eu idolatrava este semi-deus e só ele figurava no meu quarto. Ainda hoje. É um imortal.
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