18 de março de 2012

Sinais

Sei que algo está ou precisa de mudar na minha vida quando sonho com casas. E se tenho sonhado com casas... Sempre diferentes, sempre com uma infinidade de divisões, muitas com portas secretas que levam a compartimentos que por sua vez têm outra porta e por aí adiante numa interminável sequência de descoberta e surpresa. Época de mudanças, é certo, só não sei se visíveis, invisíveis, físicas, químicas ou abstractas.

7 de março de 2012

Rei morto rei posto

Morreu-nos o João, João o peixe dourado (que depois ficou castanho).
Na hora do serviço fúnebre que lhe fizemos, com direito a enterro no vaso da maior planta cá de casa, o meu filho resolveu dizer umas palavras a Jesus:
(com ar muito compungido) " Jesus fala com o teu pai para acabar a crise para podermos comprar outro peixe". 
E pronto, eu à espera de drama com choro, baba e ranho ( como eu encarava estas situações com a mesma idade) e dei com esta visão tão pragmática da coisa!!

28 de fevereiro de 2012

...

A mediocridade assusta-me, o medo da mediocridade paralisa-me.

15 de fevereiro de 2012

6 de fevereiro de 2012

Pensamento da manhã

Quais automóveis com bancos aquecidos quais quê, volante aquecido isso é que era uma grande invenção!!!

31 de janeiro de 2012

Viciante

Gonçalo M. Tavares
«O atractivo era este: em redor de uma rotunda ninguém volta atrás, ninguém se engana, ninguém tem de assumir o erro e fazer inversão de marcha.
A vida, apesar de tudo, é fácil. Numa rotunda.»

28 de janeiro de 2012

Bom fim de semana

Eu que não sei desenhar uma linha não imaginava que aos 5 anos se pudesse fazer isto. As mães são sempre suspeitas mas eu adorei!!!

O filho preferido

Aqui há tempos a "Visão" publicou uma matéria acerca dos filhos preferidos, assunto "tabu" para os pais de mais do que um filho. Ora a matéria deixou-me inquieta. Eu, filha única, de pais babados, nunca me sentindo a filha perfeita sempre soube ser a preferida, claro está. Como mãe de um filho único que é a luz da minha vida nunca me ocupei com estes pensamentos mas angustia-me a simples ideia de não amar tanto um segundo filho como amo o meu primogénito. A comparação vai parecer ridícula mas é a única que tenho: tive duas cadelas durante anos (que morreram de velhice) e tinham personalidades muito distintas. Se me perguntam de qual gostava mais eu não sei responder gostava de ambas por motivos diferentes mas com peso igual, não tinha uma preferida. Será que com os filhos não será assim? Será porque os pais têm o desejo de se concretizar através dos filhos e preferem o que mais proximo disso estiver? Será que preferem o que se parece mais consigo? Será que esse estudo é uma treta e pode ser assim como pode não ser nada disso?
Bom, à minha inquietação o meu filho respondeu.
Habituado a que eu lhe diga "És o meu filho preferido" (não havendo mais nenhum nunca me pareceu mal) repensei e quando ele falou na vontade de ter um mano perguntei "então e depois já não posso dizer que és o meu filho preferido..." ao que ele despachou "claro que podes, dizes aos dois", "Como?" perguntei "quando estiver contigo digo que és tu e quando estiver com ele digo que é ele?", "Não, mãmã, dizes assim: meus queridos vocês são os meus filhos preferidos!"

É sábio ou não?! E doce, muito doce.

26 de janeiro de 2012

momentos de auto-confirmação


Às vezes é uma palavra outras um determinado gesto outras uma expressão no olhar ou um sorriso ou um silêncio. Às vezes algo me faz parar nos meus pensamentos a mil à hora, no meu olhar clínico para pés, pernas, costas, braços, mãos e cabeças, nas intermináveis contagens da música, na procura da sincronização completa e na precisão e "limpeza" dos movimentos. Há momentos assim, em que me revejo e descubro, em certas alunas, em que sei exatamente de que palavra precisam, de que olhar precisam, de que tipo de estímulo precisam naquela situação e que pode ser diferente do que precisaram noutra. É assim que sei que amo o que faço e que ultrapasso os momentos de desanimo (que os tenho como todos) e quando o retorno são os olhos brilhantes e os movimentos cheios de atitude renovo a confiança de que o faço bem e que este é o meu caminho.

12 de janeiro de 2012

Não havia necessidade...



Eu, viciada confessa de tv, que a tem ligada desde que esteja em casa só pela companhia mesmo que não olhe para ela nem saiba o que está a dar, que sou da geração dos dois canais de tv, que cresceu a seguir religiosamente a novela brasileira no final do telejornal, sinto-me indignada com o que a TDT representa para muitas pessoas neste país. Primeiro porque ainda não compreendi a necessidade da alteração, mesmo. Depois porque para muitas e muitas pessoas e por variadas razões, a televisão, (entenda-se os 4 canais) é de facto a sua única companhia durante todo o dia e é de uma tremenda injustiça que para alguns, onde o descodificador não resolve porque o sinal é muito fraco, a alternativa seja comprarem uma parabólica (quando até o dinheiro para a farmácia e a mercearia é contado) para continuarem a ver os mesmos 4 canais.
Mas, pergunto eu na minha ignorância, isto era mesmo necessário? E porquê? E em benefício de quem? É que eu às vezes não percebo mesmo nada...

4 de janeiro de 2012

365

Gosto de ver aqueles projetos que levam alguém a comprometer-se com algum objetivo diário durante um ano e apesar de ter muitas ideias sei que nunca conseguirei embarcar numa coisa dessas. A verdade é que também não me faltam compromissos diários a cumprir... mas acho interessante e aprecio a determinação e auto-disciplina de quem elabora esses planos.

O que tenho por garantido 365 dias/ano são a preguiça matinal (o monstro na minha vida) e a tentativa de quebrar os meus próprios recordes de chegar a casa no menor tempo possível (dentro de limites razoáveis com certeza).

30 de dezembro de 2011

Frustrações de uma (péssima) dona de casa

Vivo rodeada de mulheres prendadas: elas fazem biscoitos, bombons, tortas, bolos, cupcakes, cozinham carne, peixe, aves, marisco e o que mais quiserem, elas bordam, costuram, pintam, têm a casa imaculada, nunca estragam a roupa na máquina e essas coisas. Eu bem me inspiro (vejo Masterchef e tudo) mas o resultado é sempre a sobremesa que sobra na íntegra (ou quase)... A frustração é grande mas aceito-me finalmente como especime incompleto que sou e desisto (ainda fico a ganhar no que se poupa em ovos, farinhas e açucares, gás e eletricidade!).

Pronto, é a minha reflexão de fim de ano!

28 de dezembro de 2011

Em 2012 dançar conforme a música

Para o tão agoirado 2012 o que desejo é presença de espírito e bom humor para todos!

22 de dezembro de 2011

Polar Postcrossing News


Chegou o meu postal de Natal!! Obrigada Sílvia, gostei imenso!
Que saudades tenho dos tradicionais postais de Natal que por esta altura chegavam todos os dias com o carteiro!

21 de dezembro de 2011

Deprimida ou deprimente?

Dou por mim a devorar amendoins e a ver um programa de noivas a experimentar vestidos (de noiva) enquanto a minha cabeça fica tão vazia, tão vazia que faz eco... é grave.

12 de dezembro de 2011

Dom

Há musicas que de tão exploradas nos circuitos comerciais rapidamente cansam e perdem o interesse mas esta voz nunca me cansa. Adoro este album, 21, e a postura e presença desta cantora.


11 de dezembro de 2011

Fardos

Pontas soltas; gavetas encravadas; palavras que ficaram por dizer e por ouvir. 
São carga cujo peso o tempo não alivia, apenas distrai.
Gosto de imaginar que algures numa qualquer dimensão espacio-temporal tudo se arruma, clarifica e esfuma.


30 de novembro de 2011

29 de novembro de 2011

Maternidade

Ontem, a propósito do 5º aniversário do meu filho, uma amiga disse-me que eu era já uma mãe experiente. Discordo. Como posso eu ser experiente perante desafios, fases e questões novas que surgem a cada passo? O meu filho tem uma mão cheia de anos e eu uma mão cheia de maternidade, cresço e aprendo com ele ainda que com papeis distintos. Não, não tenho qualquer experiência, ser mãe não tem receituário nem manual, basta-me a intuição para tentar encontrar o melhor caminho na melhor e mais complexa tarefa que conheço.

15 de novembro de 2011

As minhas memórias

 Para cada uma das memórias que guardo tenho um tema musical. Talvez seja boa ideia fazer uma compilação (Cat's soundtrack) para as preservar  como uma espécie de seguro contra perdas irreparáveis.

25 de outubro de 2011

Tempo de qualidade a baixo custo

Se os museus nacionais (ainda) são grátis aos domingos e muitos outros museus têm atividades para a família e/ou para as crianças ao fim de semana a preços muito simpáticos porque ficam sempre a perder para o Macdonalds do centro comercial, mais caro e menos proveitoso? Se é pelo almoço também se podem preparar umas otimas sanduiches em casa para comer no parque... Se é pelo divertimento, estão  a substimar a inteligência e criatividade das crianças. 
Não será a crise uma oportunidade para repensar a forma como se passa o tempo em família ou sou eu com utopias risiveis? 

Sugestões em Coimbra:
Museu Machado de Castro - Criptopórtico romano (os miúdos adoram descobrir)

Museu da Ciência - atividades ciencia em familia por 4Euros por adulto e onde se aprende imenso a brincar aos cientistas

20 de outubro de 2011

à primeira audição

Fiquei encantada com esta voz aos primeiros acordes.
Luisa Sobral.


14 de outubro de 2011

Os Miseráveis

Desde ontem que "Les Miserables" ecoam no meu espírito em especial esta marcha, penso que me afugenta o pessimismo... É como se diz: "quem canta seus males espanta".
E não sou sindicalista, na verdade nem sindicato existe para tantos como eu.

30 de agosto de 2011

Ainda não

As aulas estão prontas; músicas novas; ideias alinhavadas; material organizado.
Está tudo preparado para o arranque.
Tudo menos eu (que ainda estou à espera do calor, da praia e de férias a sério...)

26 de agosto de 2011

Interessante



Vale a pena ouvir até ao final e pensar na mensagem que fica.

25 de agosto de 2011

Pobreza

Há crianças da idade do meu filho das quais tenho imensa pena. 
Coitadinhos, usaram as melhores (entenda-se as mais caras) fraldas do mercado; o biberon anti-tudo; foram todos besuntadinhos com excelentes cremes (do cabelo, da cara, dos lábios, do corpo, do rabo, etc, etc); comeram as papas que o sr. doutor pediatra recomendou; vestem roupas e calçam sapatos com nomes pomposos de preferência com a etiqueta bem visivel; sorriem muito porque bebem coca-cola, comem gomas e pastilhas elásticas e porque têm pais fixes que os deixam viajar no carro à-vontade, sem cintos e amarras e alguns até conduzem (só até ali ao café) ao colo do pai ou da mãe!
 Coitadinhos, falta-lhes tudo... 

28 de julho de 2011

A justiceira que há em mim

Dou por mim a imaginar vestir-me toda de preto, colocar uma longa cabeleira ruiva e dentro da carteira só um punhal, reluzente. Imagino-me a rodear um carro topo de gama e com calma, estilo (nunca se sabe quando está uma câmara apontada a nós) e precisão cirúrgica, furar-lhe os quatro pneus, daqueles muito bons, muito caros.

Acho que vi muitos episódios d'O Justiceiro e da Missão Impossivel em criança

26 de julho de 2011

Coisas que estranho

Há pessoas que conseguem ouvir música (mesmo da que gostam) sem mexer um único dedo, sem levantar uma sobrancelha... É-me fisicamente impossível, já tentei.

11 de julho de 2011

Sentido único

Não há volta a dar. Há momentos que não se apagam nem são passíveis de compensação à posteriori. Vivemos numa estrada com sentido único, podemos procurar a rotunda mais próxima para inverte-lo mas o conta-kilometros não volta atrás. 

10 de julho de 2011

(In)seguranças

Quando só e em locais públicos caminha rápido, passos firmes ( sabe-se que está a chegar sem ainda ser vista), direita, não vê ninguém e só pára no seu destino, vá passear, fazer compras ou trabalhar.
Talvez isto se confunda com arrogância mas é só um camuflar as inseguranças que as fragilidades só se permitem portas dentro.

9 de julho de 2011

Morrer de amor

"O teu tio-avô, aquele que morreu de amor,..." diz-me quando dele quer contar alguma coisa. Desde sempre ouço deste irmão do meu avô que, ainda jovem, morreu de amor. Pergunto-me se alguém morre de amor e acho que sim que se pode dar a vida por amor de alguém. Mas não ele que ele morreu foi de desamor. Ou deixou-se morrer por fora depois da traição da amada o ter morto por dentro. Mal amado deixou de se amar, deixou de comer, quedava-se à chuva e ao vento, abriu o corpo e a alma à doença e deixou-se ir.
Será para sempre "o que morreu por amor" ao que eu invariavelmente contradigo que ele morreu foi de desamor. 

1 de julho de 2011

Nos baixos do Mondego


Aqui onde moro o rio está mais próximo do seu destino, o céu enche-se de cegonhas, corvos e milhafres e há muitos verdes, amarelos e castanhos.

Às vezes apercebo-me disto. E fico grata.

28 de junho de 2011

Seguro

Há quem ponha as pernas ou as mãos no seguro eu cá punha a paciência, a energia e a criatividade.

22 de junho de 2011

Presente

Este, das minhas alunas, deixou-me com um grande sorriso e veio do Gato Quadrado

20 de junho de 2011

gritos mudos

Se há dias em que me apetece gritar hoje é um deles.

Preciso de um espaço para gritar por estar farta, fartinha, de gente rude, egoísta e mal educada que estaciona em cima do passeio havendo centenas de lugares de parqueamento só para estar à sombra ou que "estaciona" a ocupar dois lugares só porque para ir ao supermercado, ao multibanco ou ao bar não vale a pena maçar-se e os outros que se lixem. Fartinha porque isto se passa todos os dias à minha porta, porque apesar de eu ter o cuidado de estacionar por forma a ocupar apenas o espaço que me compete, fico muitas vezes impossibilitada de o fazer porque alguns se consideram muito "volumosos", ou isso ou não sabem estacionar.

Apetece-me gritar por conviver com a ingratidão de outros que precisam sempre da disponibilidade a atenção de toda a gente mas não tem uma palavra de apoio ou incentivo para ninguém, para quem nada existe para além do seu umbigo e das suas necessidades e da sua importância.

Grito porque queria ter aprendido a virar a mesa; bater o pé; dizer não; reclamar; exigir satisfações; virar-me do avesso. Mas não, nem aqui, não sai, nada.


É tudo por hoje.

15 de junho de 2011

Meu universo

Pelo olhar (e objetiva) do meu marido.





26 de maio de 2011

Das expressões associadas à morte a que mais me agrada é Partiu desta para melhor. Faz-me sempre imaginar uma porta aberta...

22 de maio de 2011

Non sense

Nem sei como começar isto de tão palerma que é... 
Ouço na rádio qualquer coisa como: " nunca foi tão divertido tratar dos seus assuntos, venha à loja do cidadão (não sei de onde, acho que num centro comercial qualquer)" e fico logo a visualizar a cena: todos os funcionários das repartições lá representadas, muito bem dispostos, a dizerem bom dia e boa tarde com um largo sorriso e a serem correspondidos pelos utentes com a mesma simpatia e boa educação; uma senhora voluntariosamente oferecendo chá, café ou limonada e ainda revistas para minimizar os incómodos da espera; animadores para entreter as crianças (quiçá com balões e pinturas faciais); tradutores de várias línguas para apoiar os estrangeiros nos serviços dos SEF; música ambiente... Que divertido, é que assim sendo deve até valer bem a pena ir até lá (nem sei se é no norte ou no sul) de propósito tratar de qualquer assunto pois perder o dia por perder que seja com alegria e satisfação!!! 

16 de maio de 2011

História de uma freira

Vi pela primeira vez com os meus pais ainda mal acompanhava as legendas, vimo-lo num serão televisivo. Apesar da pouca idade marcou-me de tal forma que nunca mais esqueci algumas das cenas e, não me lembrando bem do argumento, não percebia o que me tinha tocado tanto, só sabia que era um filme lindo.
Revi-o recentemente e compreendi perfeitamente o que tanto me impressionou. Não terá sido tanto a interpretação da Audrey Hepburn (excelente aliás) mas o carácter da personagem da história (Sister Luke). É o que sempre me impressiona e me inquieta de certa forma, pessoas que são fieis aos seus princípios até às ultimas consequências, pessoas que têm firmeza de carácter, que seguem as suas convicções ultrapassando todos os obstáculos que sabem que têm um caminho a percorrer e que o fazem sem vacilar, até ao fim da linha. E isto pode ser um tema controverso pois se serve para percursos nobres e altruístas serve também para legitimar actos cruéis de terrorismo associados a radicalismos de qualquer natureza e por isso eu digo que se por um lado me fascina por outro me inquieta. 
História de uma freira, (1959) de Fred Zinnemann com Audrey Hepburn e Peter Finch








28 de abril de 2011

Contrastes

Gosto quando os contrastes convivem pacificamente.

25 de abril de 2011

Desconfio

sempre dos excessivamente moralistas. Penso para os meus botões se não será uma manobra de diversão para ocultar uma qualquer grande imoralidade.

20 de abril de 2011

Não se acanhem

A propósito deste post agradeço que me chamem a atenção quando tiver um erro, agradeço mesmo. É que o título esteve mal escrito (preseverança em vez de perseverança como deve ser) até eu dar conta hoje.

19 de abril de 2011

Ideias ao vento

Às vezes dá-me uma grande vontade de ir recomeçar tudo noutro sítio qualquer ( e não é por causa do FMI) e depois de ver isto no Crónica das horas perdidas Amesterdão pareceu-me uma excelente ideia. À parte o frio (que para quem não é fashionista é fácil de contornar) tudo me pareceu bem desde a descontração das pessoas, à arquitectura, passando por todo aquele queijo... Feliz ou infelizmente tenho raízes nos pés e um espírito muito pouco aventureiro (pois, pessoas como eu não vão a lado nenhum no sentido mais abrangente da expressão) e como tal só posso sonhar com, quem sabe um dia, ir até lá de férias.

11 de abril de 2011

Há muito

muito tempo atrás ele emprestou-lhe Wim Mertens, ela emprestou-lhe António Pinho Vargas. E foi assim que começou.

6 de abril de 2011

S/T

Inqualificável, intolerável, intratável, inconcebível, inaceitável, incompreensível, impensável, imperdoável.

(É só o que me passa pela alma neste momento)

5 de abril de 2011

Destinos

Ontem quis contar-me a sua história, dispus-me a ouvir. 
 Foi há mais de trinta anos, tinha vinte anos, estava noiva, o vestido feito e uma casa quase pronta, o noivo, sem que se saiba ainda hoje o porquê, suicidou-se. Foi para a cidade trabalhar, para esquecer. Tratou da casa e dos filhos dos outros, quis esquecer-se do futuro para não lembrar o passado. A sua ex-futura casa continua lá paredes de tijolo ao alto, diz-me. Passou uma década até conhecer o que viria a ser seu marido. Era viúvo de uma mulher que pôs termo à vida, homem amargurado pelo peso da culpa da solidão que a terá levado. Ficou com um filho pequeno. Quando se conheceram reconheceram-se na dor, entenderam-se. Casaram e ela diz não poder ter melhor companheiro de viagem, estavam afinal guardados um para o outro. Ouvindo isto só posso ficar certa de que para tudo há uma razão muitas vezes insondável.
Olho para ela, mulher simples, sem qualquer adorno ou vaidade feminina e percebo como podemos passar anos ao lado de alguém sem imaginar as histórias de vida que terão para contar. 

31 de março de 2011

Talento e Bom gosto

Gosto de ter objetos personalizados e quando encontro alguém talentoso e com indiscutível bom gosto como é o caso da Zita não hesito.

Desta vez foi uma capa para o meu portátil uma vez que vou de viagem e tenciono levá-lo no meio da roupa.
Chegou e dei-lhe logo uso, escusado será dizer que foi alvo dos maiores elogios. mas como uma imagem vale por mil palavras toca a confirmar.


Perseverança

Adoro ver o meu filho argumentar por algo que quer ou não quer fazer, adoro ver como tenta conseguir o seu objectivo até esgotar todas as possibilidades, até constatar que não cedo, de todo. Doi-me vê-lo frustrado mas agrada-me que dê luta, que não se deixe ficar ao primeiro não. Podia chamar-lhe teimosia mas prefiro perseverança.

29 de março de 2011

Sensacional

Todos os dias chego a casa por volta das 21h30 havendo alturas que é mesmo mais perto das 22h00. A terça-feira é a excepção, chego às 20h00 e isso foi suficiente para hoje ter sido o primeiro dia do ano a regressar a casa ainda de dia !!! Ninguém imagina o ânimo que isso me dá...

25 de março de 2011

Defeito profissional II

Tenho dificuldade em assistir a espetáculos de dança, ballet clássico ou contemporâneo. Sofro. Passo o espectáculo de mãos transpiradas, músculos contraídos, pés esticados. Perdi a capacidade de desfrutar, ao invés analiso: a técnica, os tempos, a coordenação, a forma física, o guarda-roupa, o trabalho de luzes. Já não é mágico como antigamente, já não me deslumbra. Excepto quando é perfeito, o que é raro. Tenho pena. 

24 de março de 2011

Sinais

Há muito que percebo pequenos sinais de que a vida é mais do que nos é dado a compreender. São as pequenas coisas que parecendo acasos, coincidências, não o são. São as pessoas que chegam até nós, que tocam a nossa vida e fazem a diferença, muitas vezes não presencialmente. São os abraços que nos chegam de muitas formas, com ou sem braços. São os momentos em que percebemos um propósito maior nas nossas ações. São as certezas que temos sem saber como. São os medos, as dores de alma e as comoções sem explicação. São muitos os sinais, discretos, sorrateiros, mais percetíveis por uns do que por outros. Cada vez mais acredito que a vida não é só isto, o habitarmos este planeta durante um período tão curto. Acredito que somos peões de um grande jogo do qual muito poucos saberão as regras, pelo menos neste plano. Haverá um momento da revelação. Quando o invólucro de mim perecer sei que vou dizer " Se soubesse o que sei hoje..."   

23 de fevereiro de 2011

Credo

Creio nos anjos
que andam pelo mundo
Creio na deusa
com olhos de diamante
Creio em amores lunares
com piano ao fundo,
Creio nas lendas,
nas fadas, nos atlantes,
Creio num engenho
que falta mais fecundo
De harmonizar
as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno
num segundo,
Creio num céu futuro
que houve dantes,
Creio nos deuses
de um astral mais puro,
Na flor humilde
que se encosta no muro
Creio na carne
que enfeitiça o além
Creio no incrível,
nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo
pelas rosas,
Creio que o amor que tem asas
de ouro. Amén
Natália Correia 
(maravilhoso cantado pela voz da Ana Moura)

22 de fevereiro de 2011

Primeiro Beijo

Aposto que não se lembram bem como foi, se o combinaram na escola, se na catequese ou no autocarro mas combinaram. No dia marcado foram decididos, subiram ao primeiro andar, baixaram-se para ficar ao abrigo de qualquer olhar e cumpriram o seu objetivo. Juntaram os lábios e talvez até tenham fechado os olhos como nas novelas. Só para ver como era. E guardaram segredo.

31 de janeiro de 2011

8 mm

Para ouvir de olhos fechados e mãos abertas...

22 de janeiro de 2011

S/T

Por cada vez que estamos com alguém que amamos há 50% de hipóteses de ser a última.
 É assustadoramente verdade.
Feitas as contas acho que se perdem muitas oportunidades, desperdiça-se muito tempo, as prioridades andam trocadas e o que mais me incomoda é que apesar de sabermos tudo isto, nada muda, estamos formatados, mal formatados.
Um dia faço um reset, só temo que seja irremediavelmente tarde.

19 de janeiro de 2011

Pequenas coisas

Ontem tive a confirmação de que precisamos de fazer coisas diferentes e aceitar novos desafios ainda que inesperados para nos sentirmos vivos e não precisam de ser feitos grandiosos podem ser pequenas coisas.
Ontem fiz uma dessas pequenas coisas, sem contar, atendendo a um pedido, algo novo para mim, e correu tão bem e senti-me tão viva... Em boa hora aceitei o desafio e espero que muitos outros vão surgindo desta forma, para me sentir pulsar assim.

6 de janeiro de 2011

Juro

Os dias em que estou em modo "sargento d'infantaria" são os preferidos das minhas alunas. Devem estar fartas de moleza o dia todo...

5 de janeiro de 2011

35 velas


Sim hoje é o meu dia. 
A vida é mesmo um grande mistério, sinto como se tivesse sido ontem o meu primeiro dia de escola e hoje a partir das 22h00 tenho oficialmente 35 anos de vida. 
Oficialmente porque a idade não se conta em anos. 
Parabéns a mim e aos meus pais.


30 de dezembro de 2010

Regressos

Regresso-me de muitas formas. Às vezes involuntariamente, às vezes forçosamente, às vezes como punição. Regresso-me em imagens, em sons, em cheiros, em segundos que parecem horas congeladas. Regresso-me em bilhetes de cinema, de espectáculos, em post-it's amarelos, em cartas gastas, em pássaros de papel, na caixa de recordações, naquela janela, em pequenos nadas que tornam cheio o meu interior. 
Em cada final de ano regresso a um outro, parado no tempo, a um desejo condensado que me trouxe até aqui. Revisito-me, relembro, renovo tudo o que me move, e a passagem de ano é somente isso, um regresso.

Até para o ano.

28 de dezembro de 2010

2011

Já que estive ausente da blogosfera durante a quadra natalícia (blogger desnaturada) antecipo-me já nos votos de um novo ano  cheio de saúde e amor (é o cliché mais verdadeiro e sentido que conheço) pois sem estas duas coisas nada mais se alcança.

Feliz Ano Novo a todos os que por aqui vão passando.

12 de dezembro de 2010

Resumo de uma noite

 Filipe Portugal aqui com Ana Lacerda (tirada na net porque no teatro logicamente não podia fotografar)


A minha ansiada soireé no S. Carlos foi deliciosa, apesar do Pinillos e da Ana Lacerda terem sido substituídos (ele ainda não está bem após a cirurgia ao menisco, e ela dançará apenas com ele no dia 17) não me senti minimamente defraudada. Acabei por ver a Alba Tapia, uma bailarina muito versátil e muito "fresca" nos petit allegros  e o Filipe Portugal que esteve muitíssimo bem, no papel de James que, quanto a mim lhe assentava como uma luva. Achei mesmo que, em comparação,  a prestação dele ofuscou por completo a dela, que sendo boa não teve o mesmo brilho nem chegou tanto ao público. Também gostaria de ter visto o Fernando Duarte mas fica para uma próxima. Ah e ainda vi a linda Mariana Horta, bailarina "sénior" da companhia que eu conheço, no papel de mãe.
La sylphide é um bailado em dois actos e relativamente pequeno isto porque a técnica de Bournonville (o coreógrafo original deste bailado) é muito exigente porque tem mais allegros (saltos e saltinhos) do que adagios e daí que haja um maior destaque para o bailarino que tem um oportunidade de mostrar todo o virtuosismo e controle técnico nos Petit Allegros (coisa para deixar qualquer um KO ao fim do primeiro) e um pouco nos Grands Allegro.
Mas foi uma estreia a outro nível: nunca tinha entrado no Teatro Nacional de S. Carlos (finais do Séc. XVIII, Neoclássico, réplica em escala reduzida do La Scala de Milão do arquitecto José da Costa e Silva) e nunca tinha assistido a um bailado com orquestra ao vivo. Foi mágico, um verdadeiro presente de Natal. A Orquestra Sinfónica Portuguesa, esteve muitíssimo bem (à parte duas fífias dos violinos), pela mão de Osvaldo Ferreira.
Foi das vezes que mais gostei de ver a CNB dançar clássico, estavam frescos e especialmente coordenados. A expressividade esteve à altura da exigência da técnica de Bournonville, fruto também dos ensaios específicos que tiveram com Frank Andersen.
Em suma, vim feliz.

10 de dezembro de 2010

Uma lição

Porque isto é serviço público ( e do bom) e porque o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa ainda faz comichão no cérebro de muita gente (até do meu mas cada vez menos porque comecei a estudá-lo), tudo a ler!!

9 de dezembro de 2010

Orgulho

Quando uma aluna falta à escola porque está doente mas bate o pé para estar presente no espectáculo que ia integrar à noite, sinto que tenho um lugar naquela vida, naquele coração e que algo de mim vou semeando. São estes frutos que dão sentido ao que faço.

3 de dezembro de 2010

As horas de 2011


Admiro as pessoas que sabem fazer bom uso dos seus dons ainda mais quando esses dons reflectem a sua própria beleza e alegria de viver.

A Joana, do Maria Mariquitas, é uma dessas pessoas e graças a ela as minhas horas de 2011 terão uma bela casa. Os seus trabalhos têm alma que se sente quando lhes tocamos porque nada é feito por acaso. E eu que não passo sem uma (ou várias) agenda fazia questão de ter uma feita por ela para o novo ano. Hoje o correio trouxe-a até mim junto com outras prendinhas para oferecer. Que bom!

1 de dezembro de 2010

Presente de Natal


No dia 11 ofereço-me o melhor presente de Natal: rumo à capital para ver La Sylphide pela CNB no Teatro S. Carlos com orquestra ao vivo e a Ana Lacerda e o Carlos Pinillos (o elenco é rotativo) !

Mais informações

28 de novembro de 2010

O amor maior




Há quatro anos o marido ofereceu-me esta jóia num gesto raro de espontaneidade. É a mais valiosa que tenho, não pelo diamante, não pelo valor de mercado mas pelo que simboliza. Ofereceu-mo após ter assistido ao nascimento do nosso filho representando por isso o meu amor maior.
Parabéns meu filho, um dia talvez leias o que por aqui vou deixando e verás como me enches de orgulho, todos os dias!

20 de novembro de 2010

Estado Clínico

A expectativa crónica ou a acção de "criar" expectativas acerca de algo coloca o paciente num estado de grande vulnerabilidade susceptível ao desenvolvimento de desilusão aguda com sintomas variados como suores frios, dores de estômago, insónia ou sono em excesso, tremores, mudez, entre outros.
A terapeutica a adoptar depende da natureza do paciente mas pode prescrever-se a leitura e/ou a toma de um tranquilizante sendo Diazepam o mais comum e o visonamento de uma novela (ou várias) até que faça efeito.
 Relativamente ao tratamento profiláctico (prevenção da mesma) recomenda-se não esperar grande coisa de coisa alguma. 

9 de novembro de 2010

Non sense

Procurei dar uma volta à minha vida, reorganizar os meus horários, ter mais disponibilidade para a casa, a família, o meu filho. Mas agora estou perdida nesta disponibilidade, sinto-me a pairar no tempo, a querer fazer tudo e não fazer nada apesar de estar sempre a fazer algo. Já não sei se ter tempo é a melhor opção para mim...Confuso, não?

1 de novembro de 2010

Com asas nos pés

Na minha adolescência e pré adolescência todas as minhas amigas tinham posters de rapazes e homens nos seus quartos. Eu também, posters, recortes de jornais e revistas, postais, VHS's. Elas coleccionavam e adoravam cantores, actores e mesmo jogadores de futebol. Eu idolatrava este semi-deus e só ele figurava no meu quarto. Ainda hoje. É um imortal.

26 de outubro de 2010

Indignação

É só o título da minha leitura actual. "Indignação" de Philip Roth. Mais uma leitura iniciática para mim, é o primeiro Roth que leio. Gosto. É envolvente mas claro e preciso nas emoções, nos ambientes, na escrita.

Apraz-me constatar que ao fim de praticamente 4 anos estou a recuperar gradualmente os meus tempos de leitura. Ler não é algo mensurável, não interessa ler ao quilo mas entristecia-me a falta que sentia de o poder fazer porque sabemos que nunca haverá tempo suficiente para ler tudo o que se desejaria. Jamais voltarei a ler quase um livro por semana (quando não dois) mas limitar-me a um por ano era insuportável. Estou a recuperar e, melhor, a descobrir autores novos também.

22 de outubro de 2010

Bom fim de semana

...

Pior do que as desilusões é a incapacidade de abortar as ilusões antes que pulsem.

21 de outubro de 2010

Sem complicações

Se falo, ouçam, não só com os ouvidos, mas com os olhos e a cabeça, não me interrompam, não me forcem ao silêncio; se recolho a mim, não me perguntem, adivinhem-me, não me peçam palavras, ouçam os meus silêncios, esperem...
Não sou complicada, é uma dicotomia simples.

19 de outubro de 2010

Dialéctica

Dialética

É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste...


Vinicius de Moraes

14 de outubro de 2010

Dores de parto



Olho para ti enquanto me dizes qualquer coisa sobre os cavalos da quinta ou os leões da selva, olho-te e meço-te e vejo-te crescer segundo a segundo. Ao orgulho pelo que és e no que te tornas junta-se um friozinho na barriga, um formigueiro nas mãos, uma leveza estranha nos braços por já não lhes caberes enrolado junto ao meu peito, pelas tuas asas começarem lentamente a sacudir-se, a ganhar espaço, pelas tuas palavras darem voz às tuas ideias e por lutares por elas. E às vezes lês-me o pensamento e abraças-me e dizes "gosto muito de ti" e a custo te liberto do abraço e fico a olhar-te, a medir-te, a ver-te crescer segundo a segundo e a sentir-me tremer, no coração, nas mãos, nos olhos. 

13 de outubro de 2010

12 de outubro de 2010

Sem título

Ando um bocado cansada: dos egoístas do asfalto que não dão pisca para nada porque cansa muito; dos que estacionam ocupando dois lugares; dos que atiram lixo para o chão desde piriscas a pacotes de cigarro amarrotado, de pastilhas elásticas a lenços de papel; das faltas de pontualidade; dos pais que são piores do que os filhos no incumprimento dos regulamentos; dos que sabem as regras do jogo mas não as cumprem só porque não; de pagar impostos para que outros usufruam de baixas (fraudulentas), licenças de maternidade (de 12 meses), gravidezes de risco (a partir dos 0 meses) e tantas outras aldrabices; de como a miséria de uns serve os propósitos de outros que fazem da solidariedade e da caridade um espectáculo público; de ver premiada a bandalhice, a falta de rigor, de ética e de qualidade; de ver como o parecer continua a superar o ser sem pudor.
Ando cansada de me sentir a remar contra a maré; de sentir que tenho potencialidades que não posso explorar; de me sentir desenquadrada...
Ando tão cansada que não me apetece sair à rua, não me apetecem as conversas de circunstância, não me apetece constatar a minha falta de habilidade para jogar este jogo. Valem-me os momentos preciosos com as minhas alunas para esquecer uma equação que claramente não sei resolver.

9 de outubro de 2010

Eclectismos

Tal como em tudo na minha vida também na blogosfera tenho um gosto variado e são vários os blogs que me despertam a atenção, uns porque são muito bem escritos e reflexivos; outros porque são apaixonados por algum tema em particular (fotografia, literatura, etc) e espelham-no de uma forma interessante e inteligente; outros ainda porque me fazem desejar ser dotada para a culinária/doçaria; outros porque me inspiram para a decoração, bricolage e coisas domésticas e outros simplesmente porque são bem humorados. Posto isto, não enquadro este blog em nenhuma categoria uma vez que se fala de tudo e de nada; não ruma em nenhuma direcção específica; não é metódico na sua periodicidade ou na escolha da temática; os posts são espontâneos sem agendamentos nem rascunhos; a escrita e as ideias não são originais ou especialmente inteligentes; o humor também não é o meu forte e do meu trabalho que é a minha paixão e se funde com um hobbie evito escrever sob pena de não "falar" de outra coisa. Talvez seja um reflexo desse eclectismo, talvez seja reflexo de indefinição, insegurança ou de outra coisa qualquer que não queira traduzir. Talvez não seja exactamente como eu gostaria e imaginei (um espaço onde conseguira lidar com as palavras) mas fez um ano (ainda que com algumas interrupções) que o inaugurei, pouco depois de ter descoberto a blogolândia, e se me arrependo de alguma coisa é só mesmo de ter extinguido a sua primeira parte (De Horas Contadas) num acto impulsivo e irreflectido.

6 de outubro de 2010

Experiências

Com quase 4 anos o meu filho nunca tinha ido ao mercado. Com 4 anos eu já lá tinha ido muitas vezes, com a minha avó principalmente mas também com os meus pais. Hoje para ir ao mercado fazemos mais km de carro e temos de pagar estacionamento mas a experiência que oferece e a qualidade do que se traz para casa vale a pena. No sábado de manhã lá fomos, os três e o saco das compras (a minha avó tinha uma ceira eu tenho um saco que se dobra todo, cabe na carteira e tem o mickey estampado a preto e branco). Escusado será dizer que o meu filho adorou. Adorou a simpatia das mulheres das bancas que se metiam com ele, adorou ser ele a colocar as cenouras num saquinho para a vendedora pesar em vez de me ver pegar num saco com cenouras raquíticas e sem sabor e atirar com ele para dentro de um carro de arame, adorou ser ele a pagar (entenda-se ir entregar a moeda à senhora e esperar o troco) e adorou correr as bancas connosco procurando o que mais nos agradava.
Porém, tudo é diferente nas minhas lembranças: havia no mercado mulheres com patos, coelhos, galos e galinhas e pintainhos vivos dentro de cestos e eu queria "fazer festinhas" a todos (e não comer nenhum); a minha avó não trazia nada pelo preço que lhe pediam e trazia tudo pelo preço que estava disposta a pagar e sabia escolher da fruta aos legumes do peixe à carne. Tinha uma arte de regatear (hoje diríamos de negociar o preço) que se ficou sem descendentes porque ela já não vai ao mercado e nós não o sabemos fazer por acanhamento ou por não ter experienciado as privações de outros tempos.
Escusado será dizer também que as compras do mercado proporcionaram sopa e saladas com sabor melhorado no fim de semana!

Atentados urbanísticos

O antigo Teatro Avenida de Coimbra




foi atentatoriamente demolido (talvez em finais dos oitenta, inicio dos noventa porque ainda me recordo bem) para a construção de um centro comercial que nunca foi bonito ou arquitectonicamente interessante, nunca foi muito popular em termos de comércio mas tinha 3 salas de cinema e estava, por isso, sempre cheio até uns 6/7 anos atrás. Agora continua lá, qual impostor, ocupando um espaço que não lhe pertencia, continua feio e sem interesse urbanístico e pior, também ele desértico, sem cinema, salas fechadas, uma desolação.


A cidade perdeu a oportunidade de renovar uma belíssima sala de espectáculos clássica, perdeu-se nos meandros dos interesses imobiliários e nada mais se fez. Dolce Vita - cinema; Forum - cinema; um ou outro espaço alternativo de pequenas dimensões e é tudo e é pena. Não há um espaço de espectáculos condigno. O Teatro Académico de Gil Vicente vai cumprindo a sua função mas o palco é exíguo para determinadas apresentações e as condições gerais estão longe de ser boas.
Se há coisas que me entristecem na minha adorada cidade esta é uma delas e parte-se-me o coração de cada vez que passo por esta Avenida.
E o pior é que não é caso único na cidade, nesta e em muitas outras.

1 de outubro de 2010

Defeito profissional

Ultimamente faltam-me as palavras e cada divagação/constatação surge ilustrada com imagens. 
Às vezes é assim e talvez porque no meu trabalho faça um exercício diário de procurar images que melhor ilustrem a dinâmica de um movimento; a engenharia do corpo e as engrenagens que têm de funcionar e como para obter uma determinada componente técnica; a emoção/sensação por detrás de cada música. Isto é fundamental para o ensino da dança em qualquer idade, com imagens adaptadas a cada faixa etária. Recorrendo a elas consegue-se que algumas coisas que não se vêem, se sintam e passem a ser visualizadas, dominando o abstracto e transformando-o em concreto, em técnica com sabor, com cheiro, com sentimento.
Não sei se é a isto que chamam de defeito profissional  mas certo é que muitas vezes e fora do contexto lectivo procuro imagens para ilustrar o meu pensamento e algumas vezes mais do que palavras. E se é defeito profissional tenho muitos outros.
Esta é uma dessas fases e por isso este blog de repente tenha mais imagens do que palavras mas não sou fotógrafa, só capto imagens, que fazem sentido, para mim.

Dois pesos, duas medidas

A mesma coisa pesa de formas diferentes em diferentes estádios de uma vida.

(Mercado D. Pedro V - Coimbra, secção hortícola)

29 de setembro de 2010

Sem filtros

(Av. Sá da Bandeira, Coimbra - edifício dos CTT)

24 de setembro de 2010

Velharias

Um mimo esta pequena riqueza, não resisti a trazê-la comigo, faz-me sorrir.

21 de setembro de 2010

An (em) Miranda

Eu fui a Miranda (do Douro) e não vi os pauliteiros (por pouco)...
Mas amei, cheirava à nossa cultura; à nossa essência; às nossas raízes. Lemos a nossa 2ª lhéngua (língua) oficial nos livros, nas placas toponímicas, nos folhetos turísticos; passeamos no Douro internacional num cruzeiro ambiental com respeito pelo silêncio que se impõe em zona protegida e casa de aves imponentes como o grifo e a águia real ou a cegonha negra. Pressentimos o orgulho na voz e a simpatia nos olhos. Saboreámos gastronomia típica, rica.
Sentimo-nos tão bem em sítios assim,  amamos sempre mais um pouco este nosso país quando fazemos descobertas destas. 
Partilharei aqui algumas imagens em breve.

12 de setembro de 2010

Felizes os pobres de espírito

Entre o circo Casa Pia, a opereta Queiroz e outras tantas touradas apetecia-me ter coragem para não ter televisão em casa... Mas vale-me o Canal Panda.

10 de setembro de 2010

À beira do estendal

Olho o meu estendal da roupa de novo com molas fruta cores, coisa que me irrita tremendamente mas que não tenho tempo nem paciência para contrariar,  e constato que não tenho obsessão de qualquer natureza nesta minha vida, nem com a casa, nem com o trabalho, nada... Também não tenho vícios, nada...

E o que diz isso de mim? Que sou saudável? Ou, pelo contrário, que sou acomodada, não suficientemente empenhada em nada, pouco determinada, meio-sal, que toda a vida me faltou saber bater o pé?

E no meio destas reflexões esta é a música que toca no ipod:


6 de setembro de 2010

Olhares



Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, Coimbra.

Reflexos



Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, Coimbra, reaberto ao público em 2009 com museu interpretativo, uma visita que vale realmente a pena (domingos e feriados até às 14h a entrada é gratuita).
http://www.acabra.net/artigos/mosteiro-de-santa-clara-a-velha-galardoado-com-europa-nostra-2010

Portugal dos Pequenitos

É sempre uma viagem...no tempo

1 de setembro de 2010

Tesourinho

Graças ao Youtube temos praticamente todas as memórias musicais e/ou videográficas da infância ao alcance de um click e lá está um dos tesourinhos dos anos 80.

Ana Faria , albúm "Brincando aos Clássicos", música da Ana (versão do Lago dos Cisnes!!!)

Setembro

Setembro é digno de nota, merece honras de chegada.
Cabe-lhe fechar a porta e abrir todas as janelas.
Tem luz e cheiro e tempo próprios.
Tem um sabor agridoce mas é leve e macio.

Tiro o relógio da gaveta.

25 de agosto de 2010

Queria mesmo

mesmo muito chegar a este espaço e conseguir colocar em palavras as ideias que me fervilham no espírito, que me fazem acordar após 3/4 horas de sono e ficar o resto da noite de olhos bem abertos a revê-las, refiná-las, dissecá-las... Queria mesmo, muito, saber escrevê-las. Mas não. 

24 de agosto de 2010

Fragilidade

Num dia somos de ferro, granito, aço, no outro de barro, vidro, papel e perante isto parece-me cada vez mais que vivemos ao contrário.

17 de agosto de 2010

Ramos de um mesmo tronco

Dou por mim a pensar no assunto, mais do que alguma vez fiz, cada vez mais.
Não tenho irmãos. Tenho lido e ouvido muitas pessoas sobre a "benção" de ter um irmão.
Não consigo imaginar como é ter alguém saído da mesma barriga, ter a mesma raiz e ser o outro ramo do mesmo tronco. Procuro imaginar outro alguém com quem pudesse compartilhar das mesmas regras, dividir os ralhetes e castigos, brincar, brigar, crescer. 
Não sei como é existir alguém que conheça a minha essência melhor do que ninguém, as minhas virtudes e fraquezas (os irmãos costumam saber melhor do que até os pais) e talvez fantasie demais pensando que é a peça do puzzle que falta na minha vida e que me sentiria mais acompanhada e completa com essa peça. Imagino alguém com quem conversar sobre tudo, alguém que mesmo longe se haveria sempre de afirmar presente, imagino os sobrinhos, meus sobrinhos de sangue, e as ceias de Natal e comemorações familiares...
Sei que há relações péssimas entre irmãos mas imagino que com um tronco como o meu os ramos haveriam sempre de estar bem unidos não poderia ser de outra forma.
Tive uma infância muito feliz mas o crescimento trouxe-me esta noção e sensação da solidão, da orfandade de um verdadeiro par.
Agora, como mãe, mais do que desejar ter outro filho gostava que o meu filho não fosse filho único e dou por mim pensando neste assunto, cada vez mais.

12 de agosto de 2010

Descobertas

Gosto de pegar num livro e ficar presa logo na primeira página, absorta nas linhas, criando imagens para as palavras, alheia ao passar do tempo; ao barulho; às pessoas e a mim.

Não acontece com frequência.

Aconteceu ontem quando e na sequência de uma conversa com um amigo que também nunca tinha lido este autor, resolvi pegar no "Manual dos Inquisidores" de António Lobo Antunes há muito esquecido na estante.

Rapidamente saí de mim, trespassei paredes, voei sobre telhados, o tempo deixou de existir, tudo ficou suspenso durante esta iniciática leitura.

Que boa descoberta.