Já ia no plano B, acho que vou precisar de um plano C.
Reinvenção, reformulação, reestruturação, remodelação, reanimação são as palavras de ordem.
18 de dezembro de 2012
17 de dezembro de 2012
Sonhos a soldo
Só tenho um sonho, um único, condensado, para ser mais forte. Não é ter uma casa na praia, nem fazer compras em Nova Iorque, não é saltar de paraquedas nem conhecer nenhum actor. É um sonho simples, sem ambição ou glamour. Que a felicidade não seja finita, não se esgote em pequenos lapsos de tempo/espaço, que seja constante para poder acreditar nela sempre e mais. E a minha felicidade é tão simplória que se resume em ter a família junta, num ninho quente, para cuidá-la e mimá-la. Sonho pequeno portanto. Parece fácil, não? Não. À conta de crises, troikas e outras gangrenas muitas famílias se obrigam à separação e à distância e sonhos modestos e vulgares como o que apresentei transformam-se em demandas pelo Santo Graal.
16 de dezembro de 2012
Novembro
E Novembro já passou mas está-me para sempre na pele, no sangue, nas entranhas.
Os meus pequenos filhos já nasceram há um mês.
Os meus pequenos filhos já nasceram há um mês.
15 de dezembro de 2012
14 de dezembro de 2012
Crónicas de uma nova vida #5
Eu e todas as mães com os bébés prematuros internados temos "direito" a acompanhamento psicológico lá na maternidade. Se no inicio me pareceu forçado agora não prescindo da conversa semanal que temos a sós. Na última sessão a psicóloga perguntou o que é que toda esta experiência e todo o processo que no presente vivencio poderá transformar na minha pessoa, no meu pensamento e no relacionamento com os outros. Entre outras coisas fiquei a pensar nos meus amigos. Nunca fui pessoa de grandes círculos de amizades, sempre se contaram pelos dedos de uma mão e são sempre fruto do tempo. Ora os amigos a sério não foram surpresa, não se revelaram de repente. Mas têm sido os melhores do mundo. Mesmo quando me viro para dentro e quero fechar a porta, mesmo quando as palavras não saem e o silêncio se instala não desarmam e não desistem, fazem-se presentes e constantes e mesmo sem braços me têm rodeado nos últimos meses num abraço quente e forte. São e estão e dou-lhes um valor incomensurável mais do que nunca, mais do que possam imaginar, mais do que consiga dizer para além do "obrigada".
13 de dezembro de 2012
Portugueses (a cantar) no mundo
E foi assim, que há muitos anos, me foi apresentada...em neerlandês. E nunca mais larguei.
Cristina Branco e Blof
10 de dezembro de 2012
A santa inquisição da amamentação
Já sabia. Agora confirmei. Muitas mães só amamentam para não sofrer o julgamento da sociedade. Sim, dizer em voz alta que não se amamenta ou que não se pretende amamentar dava direito a ser enterrada na praça pública só com a cabeça de fora e apedrejada por cima caso houvesse entre nós semelhante costume. E isto independentemente dos motivos pois que se os há fúteis (porque há) também os há efetivamente válidos. Fico doente com este radicalismo/fundamentalismo/fanatismo em relação à amamentação. De que é o melhor para o bébé não tenho dúvida, não me falta a informação a respeito, que é o mais económico também sei. Com o que não posso é com a pergunta recorrente do "tens leite?", "dás mama?", com o olhar que recebo quando digo que não e, pior, com o ficarem à espera de uma justificação que não entendo que necessite de dar acerca dos meus motivos. Não suporto a pressão a que estou sujeita para retirar leite com uma bomba (os prematuros até determinada idade gestacional não têm o reflexo de sucção) mesmo sabendo que a muito custo consigo tapar o fundo do biberon para dividir por dois bébés; não suporto os olhares inquisidores como se gostasse menos dos meus filhos por isso. É por amá-los que não quero que passem fome como passou o meu primeiro filho à conta da obsessão pela amamentação, não, não é por egoísmo e não é por receio de ficar com a mama assim ou assado. Já há tempos escrevi sobre o assunto, é tudo muito bonito quando tudo corre bem mas a mim a única recordação que tenho de dar mama é de frustração e tristeza e isso parece-me ir contra tudo aquilo que se quer transmitir a um filho na hora de o alimentar. Bom senso precisa-se.
7 de dezembro de 2012
Crónicas de uma nova vida #4
3 semanas já. Vivemos aqui há 3 semanas. Temos partilhado o espaço com outros bébés que vimos chegar e já vimos partir, alguns ficam só umas horas, outros um dia ou uma noite, outros uma semana, depende do seu peso e das condições em que nascem. Dos que nos fizeram companhia mais tempo já nos despedimos de 5. Fico feliz por aquelas mães, gosto de ver como têm um olhar diferente mais vivo e brilhante, fico a imaginar como será aquele primeiro dia que passarão em casa junto dos seus e longe das máquinas e das batas. Fico um bocadinho triste porque as "mães acompanhantes" (nosso estatuto oficial) têm as mesmas angústias e preocupações, compreendemo-nos, falamos sobre as mesmas coisas, apoiamo-nos, encorajamo-nos e fico a sonhar com o dia em que também eu sairei daquelas portas com os meus filhos e entro com eles em casa, fechando assim este ciclo.
6 de dezembro de 2012
Reverso
Não é a percepção normal que se tem deste lugar. É um lugar de esperanças e alegrias. Normalmente. Mas a maternidade também é, sei-o bem agora, lugar de muita dor, muita tristeza e grandes solidões. É o avesso, o reverso, deste lugar.
Há a solidão ansiosa mas alegre dos homens que aguardam no corredor de acesso à sala de partos; há a solidão amargurada das mães que trazem ao mundo crianças sem uma palavra amiga, sem apoio da família ou sem a presença dos namorados/maridos/companheiros; a tristeza das ex-futuras mães que saem de esperança vazia... Conheço agora muitas destas histórias e todas me doem um pouco e é nos corredores apressados e populosos desta maternidade que sinto a maior solidão.
5 de dezembro de 2012
Crónicas de uma nova vida #3
Os melhores momentos que passo na UCIN são os do "canguru". Canguru é o nome dado à técnica de colocar o bébé prematuro só de fralda no peito nú da mãe e envolver depois os dois com a bata e assim ficar, reclinados num cadeirão, com a iluminação reduzida, durante duas horas. É mágico como durante essas duas horas o bébé fica completamente estabilizado e com os valores ideais (tensão, frequência cardíaca e respiratória, etc, pois continua monitorizado com os eletrodos) durante todo o tempo. É mágico como as duas horas passam num instante, o bébé dorme sereno e eu tenho o meu momento zen em que consigo esquecer tudo o resto e concentrar-me na respiração dele, no seu cheiro, na sua pele, e cantar-lhe baixinho. Foi mágico quando o pude fazer pela primeira vez, após 6 dias do nascimento a um e 7 a outro (é um dia cada um). Quando presente o pai também pode beneficiar desta experiência e é vê-los, maravilhados, com sorriso de orelha a orelha e em caso de gémeos pode estar a mãe com um e o pai com outro. Os estudos apontam que esta técnica promove de facto a estabilidade de algumas funções vitais do bébé, protege o vínculo materno-infantil uma vez que o bébé reconhece o som do coração e da voz da mãe, o cheiro da mãe e tranquiliza-o emocionalmente. Para a mãe (é comum a todas) é o melhor e mais ansiado momento do dia quando eles "saltam" da incubadora para o nosso colinho.
2 de dezembro de 2012
metamorfoses
Li-o há vários anos atrás, ficou-me marcado nessa altura, altura em que a vida se compunha de outros objectivos, desenhava outros caminhos e apresentava outras personagens.
"A última escala do Tramp Steamer" de Álvaro Mutis, peguei nele outra vez, foi o primeiro título que me ocorreu quando procurei algo para me acompanhar durante a hora de troca de turno em que sou obrigada a sair da UCIN. Releio-o e faço duas viagens numa só: a dos personagens que voltam a agarrar-me à sua história e a do tempo, do meu tempo, dos cheiros e músicas e espaços da época em que conheci aqueles personagens. Sei porque foi a ele que as minhas mãos procuraram: encerra um conto de nostalgia, solidão, distância e transição. Mostra como um acontecimento ou alguém pode, em pouco tempo, transformar um ser humano. Sei que o momento que estou a viver e que vem a desenrolar-se de alguns meses a esta parte me faz deixar muita coisa de mim para trás, tenho como que uma segunda pele, sei que nunca mais serei a mesma pessoa nem fisica nem afetiva nem psicologicamente. E não sei se isso faz de mim melhor ou pior pessoa, sei apenas que diferente.
30 de novembro de 2012
Crónicas de uma nova vida #2
Vivo agora num outro mundo, com outros sons, cheiros, pesos e medidas. Um mundo liliputiano onde a diferença se faz grama a grama, mililitro a mililitro e onde os heróis não se medem, mesmo, aos palmos.
Vivo, neste novo mundo, não só a minha como as outras histórias que partilham o espaço daquela UCIN, vibro com cada grama mais que o A ganhou, com a vitória do B que finalmente respira sem apoio ou com a C que já mama.
Já não tenho nome, sou, na UCIN, nos corredores, no refeitório, na secretaria, na portaria, daquela maternidade, a mãe dos gémeos, e vivo agora numa nova dimensão onde como, durmo e tomo banho porque é preciso, e mais necessidades, premências ou urgências não tenho, só preciso de lá estar.
Os meus meninos, tão pequeninos e tão grandes, tão frágeis e tão valentes, fizeram hoje duas semanas de nascimento e continuam no bom caminho.
28 de novembro de 2012
De que cor são os beijos?
"- E sabes? Muitas vezes os beijos são também de um lilás escuro e misterioso. São aqueles que nos consolam quando estamos tristes ou confundidos e não sabemos que fazer ou para onde ir e nos dizem: "não te preocupes, que eu vou estar sempre ao pé de ti"."
Extracto de "Mamã de que cor são os beijos?", Carla Pott/Elisenda Queralt
Extracto de "Mamã de que cor são os beijos?", Carla Pott/Elisenda Queralt
26 de novembro de 2012
Crónicas de uma nova vida # 1
Não consigo neste momento falar pensar ou sentir para além disto e preciso de exprimir-me de alguma forma em algum recanto. Os meus filhos mais novos começam a sua vida numa UCIN (Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais). Nos últimos tempos têm passado várias reportagens sobre a prematuridade nos noticiários mas efetivamente muito pouco ou nada se consegue mostrar do que é esta realidade. E a realidade é que é avassalador, avassalador, avassalador (é a palavra que ecoa no meu cérebro a cada instante). É avassalador em primeiro para o recém-nascido que não só passa do seu casulo aquático para um ambiente estranho antes de estar preparado como passa para um ambiente no qual não reconhece as vozes nem o toque que lhe são familiares e onde tem de lidar com a dor física por força de entubações, agulhas, sondas, ventiladores etc. É avassalador para a família no geral e para a mãe em particular face à impotência que se sente perante a fragilidade de um filho.
Dia 1 - Os meus filhos nasceram com 2 minutos de intervalo, apenas lhes ouvi um choro tímido e me foram mostrados num relance na passagem entre as mãos do obstetra e a incubadora, do outro lado da porta. Deles só ouvi do doutor "são giros e são iguais". A anestesia acalmou a ansiedade.
Dia 2 - Complicações pós-parto e não pude ver os meus filhos. Não sei o que me fez pior se lidar com a dor fisica se com a dor de sentir os meus filhos "ao abandono" num ambiente estranho.
Dia 3 - Finalmente a primeira visita aos meus filhos e o embate com a realidade de uma UCIN. O abalroamento emocional não tarda. Os meus pequenos filhos estão rodeados de máquinas, com eletrodos, cateters, vendas, tudo ligado e montado nos seus corpos minúsculos, rodeados de pessoas que estão concentradas e preocupadas com a sua evolução/tratamento/bem-estar como tem de ser mas que não sabem lidar com a ansiedade da mãe e com a necessidade de entender o que se passa.
Dia 4 - Um dos meus filhos tem uma agulha espetada do lado esquerdo do torax, "foi uma pequena bolha no pulmão, mas agora está estável", disseram mas já os ouvi muito longe tal foi a vertigem ao perceber o sofrimento do meu pequeno bébé a quem só queria agarrar e proteger. Levaram-me embora de volta para o quarto com a desculpa de que iam fazer um rx torácico e era melhor eu não estar presente. Mais uma vez a sensação devastadora de impotência. Chorei todo o dia, e toda a noite.
É-me muito dificil pôr por palavras os sentimentos dessa primeira semana: de cada vez que entrei nas portas decoradas com o Winnie the Pooh e o Mickey era tamanha a intimidação que não consegui fazer as perguntas que queria, tocar nos meus filhos como queria, falar-lhes e cantar-lhes como desejava. Intimidação face às máquinas e apitos e fios e registos e principalmente face àqueles profissionais que têm a vida dos meus filhos nas mãos e nos olhos.
Tive alta ao fim de uma semana de internamento e de 5 dias após o parto.
Sair da maternidade sem eles foi terrível, foi como se os abandonasse, chegar a casa sem eles foi outro choque incomensurável.
Nasceram fez hoje 10 dias, desde que tive alta vou de manhã bem cedo para a maternidade e fico até às 19h00 (apesar de todas estas novas rotinas, as rotinas do meu filho mais velho têm de ser respeitadas), já lhes toco e pego e falo e canto, mas também choro, sem eles verem .
Os meus filhos não nasceram no limite como muitos outros, hoje estão estáveis e estão a ganhar peso mas, e como me dizem daquelas portas para dentro, é um dia de cada vez.
20 de novembro de 2012
novas
pronto foi mais cedo os manos v. e v. ja ca estao.
resumo que escrever no telemovel nao me agrada e nao sei quando irei para casa: quarta feira internamento na maternidade, quinta decisao medica de cesariana, sexta, dia 16 com 31 semanas os pinipons saltam da mae para a incubadora e la estarao durante os proximos tempos para continuarem a crescer. muita angustia, muita ansiedade mas muita fe nos meus pequenos herois. coracao de mae sofre...
resumo que escrever no telemovel nao me agrada e nao sei quando irei para casa: quarta feira internamento na maternidade, quinta decisao medica de cesariana, sexta, dia 16 com 31 semanas os pinipons saltam da mae para a incubadora e la estarao durante os proximos tempos para continuarem a crescer. muita angustia, muita ansiedade mas muita fe nos meus pequenos herois. coracao de mae sofre...
9 de novembro de 2012
O amor divide-se ou multiplica-se?
Há muito que preciso de verbalizar os sentimentos que me inquietam agora que serei mãe de novo, ou melhor, serei uma mãe partilhada.
Não sei se este é um sentimento comum ou não mas à alegria de esperar mais dois filhos junta-se um medo terrível, um duplo medo: medo de que o meu filho, único até agora, a quem durante 6 anos foi devotada toda a atenção, se sinta menos amado, que sofra, que crie ressentimentos e medo de não ser capaz de amar tanto os irmãozinhos como amo e sempre amei a ele, desde o momento em que soube que ele já existia dentro de mim. Acredito que o amor não se divida, antes se multiplique mas, não tendo referências pessoais por ser filha única, não consigo evitar esta dualidade de emoções, estes receios. São devaneios tresloucados meus? Ou, antes pelo contrário, passa pela cabeça de todas as mães?
7 de novembro de 2012
Perguntas dificeis
Passada a fase do querer saber como são feitos os bébés, como vão para a barriga e como saem de lá, as perguntas difíceis do meu filho são agora, e pelo menos para mim, as verdadeiramente difíceis:
"Mamã como é que Jesus está no meio de nós se ele morreu?"
"Mamã como é que as pessoas morrem e vão para o ceú se tudo o que vai para o ar cai se não tiver para-quedas?"
"Mamã o que é o espírito santo? E o que é só o espírito?"
(isto é só um reduzido exemplo das suas questões teológicas e metafísicas...)
E não há nada que o cale enquanto as respostas não fizerem sentido lógico na sua cabecita de 5 (quase quase 6) anos. Como se fosse fácil explicar a fé e o abstrato de forma lógica!
"Mamã como é que Jesus está no meio de nós se ele morreu?"
"Mamã como é que as pessoas morrem e vão para o ceú se tudo o que vai para o ar cai se não tiver para-quedas?"
"Mamã o que é o espírito santo? E o que é só o espírito?"
(isto é só um reduzido exemplo das suas questões teológicas e metafísicas...)
E não há nada que o cale enquanto as respostas não fizerem sentido lógico na sua cabecita de 5 (quase quase 6) anos. Como se fosse fácil explicar a fé e o abstrato de forma lógica!
3 de novembro de 2012
A espontaneidade da gravidez
À pergunta : "Foi uma gravidez espontânea?", feita na maternidade eu e Mr. H segurámo-nos para não rir e respondemos qualquer coisa como "Bem...precisámos um do outro..". Sim porque da primeira gravidez nunca ninguém nos perguntou tal coisa e de gravidezes espontâneas a história só reza uma e mal contada...
A boa disposição instalada de parte a parte lá veio a contextualização: o aumento do número de gravidezes gemelares provem do maior número e melhoria das técnicas de reprodução clinicamente assistida, logo, interessa aos técnicos de saúde perceber se é o caso da nossa ou se foi obra e graça da natureza. Depois disto a questão já se repetiu por diversas vezes (em laboratórios, ecografias, outras consultas...) e já pude responder calmamente que sim, foi uma gravidez espontânea, muito espontânea.
Polar Post Crossing 2012
Este ano e porque, desconfio, estarei fora de circulação nessa altura a tomar conta de 3 rapazes em simultâneo (4 vá contando com Mr. Husband) e /ou ainda na maternidade, não me comprometerei mas como é somente a melhor celebração natalalícia da blogosfera, promovida pela Pólo Norte do Quadripolaridades, aqui fica o destaque.
Para mais informações passar por Aqui.
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