31 de janeiro de 2013

Companhias inesperadas

Às vezes tenho visitas estranhas, esta veio para o almoço e lá ficou de frente para mim o tempo todo e nem a máquina fotográfica a espantou!


30 de janeiro de 2013

Coisas que admiro, muito

Há muito tempo que leio este blog e admiro a capacidade de pôr em prática (e manter) um estilo de vida minimalista. Um estilo de vida porque não se resume à decoração de casa, antes percorre todos os aspectos da vida.
Em 6 anos que moro num apartamento, posso dizer, bastante espaçoso, e já não há armário que resista a tanta tralha, a garagem parece um armazém e muito gostaria de pôr em prática os ensinamentos da Rita mas talvez não seja suficientemente disciplinada e metódica para isso. Para além disso teria de converter toda a restante família. Mas fica a admiração e quem sabe se torne num projecto de futuro.

29 de janeiro de 2013

Coisas lindas

Às vezes sinto-me mesmo muito deslocada no tempo...

Paul Newman

28 de janeiro de 2013

Didática

Naquela linda manhã
estava a brincar no jardim
a certa altura a mãmã
chamou-me e disse-me assim
"Não andes só a correr
Tropeças sem querer
se cais ficas mal"
Respondi
"Pronto está bem"
Depressa porém
esqueci-me de tal
Não me lembro depois como foi
Escorreguei, caí no chão
No joelho ficou um doí-doí
no nariz um arranhão
Desde então procurei ser melhor
Por ser mau fui infeliz
Faço agora tudo quanto a mãmã me diz
Faço agora tudo quanto a mãmã me diz


Já a minha mãe assim me cantava, por isso meus filhos aprendam, a mãmã tem sempre razão!

27 de janeiro de 2013

"Putti"

Toda a gente conhece aqueles anjinhos barrocos, também conhecidos por "papudos" (cheios de refegos), na História da Arte a designação correcta é a italiana "putti". Tenho um desses cá em casa, só apetece apertar.




25 de janeiro de 2013

Abaixo as etiquetas

Será que falta muito para que todos (porque já há alguns honra lhes seja feita) os fabricantes de roupa, principalmente os de roupa infantil, cheguem à brilhante conclusão de que podem abolir as etiquetas e optar pela sua impressão?! Parece-me que até lhes ficaria mais barato.

22 de janeiro de 2013

Crónicas de uma nova vida # 7

Muitas têm sido as conquistas dos pinipons.
V1 atingiu o peso do irmão mais velho quando nasceu (às 40 semanas) aos dois meses de nascimento, já ultrapassou as fraldas de prematuro e deixou para trás as T.1, foi promovido às T.2 (3-6-kg)! V2, por sua vez, ultrapassou a meta dos 2.500 kg e passou finalmente nos testes auditivos (tinha chumbado 3 vezes o que estava a causar-me grande ansiedade) ! A pediatra (que já os conhecia da UCIN) diz que estão óptimos recomendou muitas cantigas, muitos sorrisos e ginástica! 
Agora seguem-se uma série de consultas de especialidade no hospital pediátrico para despiste de problemas que geralmente afectam os prematuros. Ontem tiveram exame de oftalmologia para despiste da retinopatia da prematuridade. Depois do massacre de estar com eles das 9h00 às 14h00 para fazer o dito exame, a preparação é muito demorada porque lhes colocaram uma gota nos olhos a cada 20 minutos, vim feliz porque esse problema está colocado para trás das costas, a sua visão está bem e recomenda-se. Próxima será a de otorrinolaringologia, depois a consulta de desenvolvimento, depois ecografia ao cérebro...Lá estaremos confiantes de que tudo estará em conformidade.
Estão lindos os meus bébés, ando extremamente cansada mas do que não me canso é de olhar para eles, de lhes tocar, de lhes cantar.
Pior mesmo é sair sozinha com os dois, com um carrinho que de "inho" só tem o nome, é na verdade um monstro de 20 kg. E já senti na pele aquilo que fui sabendo de outros pais de gémeos: não conseguimos passar despercebidos em lado nenhum, as pessoas são muito simpáticas e prestativas até mas para quem sempre foi mais discreto é estranho, ainda que me sinta muito vaidosa e especial com os meus pinipons :)

Uma óptima opção foi a de ter preservado o carrinho singular do meu filho mais velho. Inicialmente, e aquando a necessidade de comprar o duplo para os gémeos, equacionamos vender o singular para minimizar a despesa mas acabamos por não o fazer e ainda bem. Quando tive que sair apenas com V2 para o rastreio auditivo deu-me imenso jeito!

Com muita pena nossa o tempo não tem permitido passeios de carrinho ao ar livre e ir para centros comerciais cheios de gente está fora de questão, assim sendo, não saimos de casa e isso é um pouco aborrecido mas melhores dias virão.

21 de janeiro de 2013

Famílias em part-time

Que há novos modelos de família já é sobejamente conhecido e moderadamente discutido: famílias monoparentais; famílias com duas mães ou com dois pais. Mas existe um outro tipo, em número crescente: o da família em part-time que é aquela que se vê de 3 em 3, de 4 em 4 ou de 6 em 6 meses, que se faz família em skypes, sms e telefonemas. Gostava de ver um estudo sobre os efeitos que tem essa "disfuncionalidade" na natalidade, na dinâmica social e até na economia de um país. 

20 de janeiro de 2013

Domingo é dia de...

Bolo de iogurte! Não sei fazer outro (pois sou pouco prendada para estas coisas), aceitam-se sugestões porque isto de ser mãe de três e não saber fazer bolos é triste, tem é que ser daqueles fáceis em que se bate tudo junto e vai ao forno.

Castigo pelo post anterior

O Sábado não foi igual, foi às escuras todo o dia, TODO o dia que nem luz natural tinha (não gosto de estores elétricos) !

19 de janeiro de 2013

E o fim de semana vai ser

igualzinho aos dias de semana! Estou que nem me agarro de excitação...

18 de janeiro de 2013

Casas de sonho

Afinal, e remetendo para aqui, se tivesse uma menina tinha a desculpa perfeita para ter a casa (ou melhor casarão) de bonecas com que sempre sonhei daquelas que se abrem, têm as divisões todas e as mobilias e cortininhas e tudo, vintage claro está, nada de plásticos. Ah e uma Nancy que tem um ar muito mais saudável do que a Barbie!




17 de janeiro de 2013

Boas compras

A propósito  deste post do MãeGyver fiquei a dar voltas à cabeça e cheguei à agradável conclusão de que não fiz compras flop (no que diz respeito e só à puericultura cá de casa) nem do meu primeiro filho nem agora dos gémeos. Bem pelo contrário há coisas que comprei  que se revelaram excelentes opções e pelas quais dou por muito bem empregue o dinheiro:

- Esterilizador de biberons de microondas: comprei um da Pré-Natal quando nasceu o meu primeiro filho e dura até hoje, é funcional, rápido e eficaz;

- Um trocador de fraldas almofadado (da Vertbaudet) que cabe à medida nas comódas tanto na minha como na dos bébés, é transportável e muito higiénica uma vez que se tira a capa para lavar na máquina e a base é impermeável;

- Balança digital (da Chicco): esta foi uma compra feita agora aquando da vinda dos gémeos para casa. O  meu mais velho ia ao centro de saúde para o peso semanal mas aos gémeos, sendo prematuros, preferimos proteger pesando-os em casa e evitando os centros de saúde cheios de gripes e coisas que tal nesta altura do ano;

- Um saco do bébé comprado nos saldos da Benetton há 6 anos atrás (foi um achado) e que está como novo: espaçoso em tecido impermeável, discreto, traz troca fraldas, bolsa para biberon isotérmica e bolsa para transportar muda de roupa. Continua a servir mesmo tendo que levar coisas em duplicado!

- Um humidificador comprado na loja online da Imaginarium com 60% de desconto e que tornou o ambiente do quarto muito mais saudável pois estava sempre demasiado seco devido ao aquecimento.

E penso que estas foram as 5 melhores baby compras cá de casa. 


16 de janeiro de 2013

2º mesário




Dois meses ( 4 dias de idade corrigida)  já passaram e estão lindos e fortes os meus "Vévés"

15 de janeiro de 2013

É desta que tenho de ir ao retinol

Filho mais velho a contemplar o album de fotografias da lua de mel dos pais:
" tinhas a pele tão lisinha aqui mãmã" e, como se não bastasse para constatar que os anos estão visivelmente a passar, ou melhor, a ficar por mim acrescenta: "agora tens uns risquinhos e umas ondinhas e uns cabelos brancos".
Pronto eu que até achava que nem estava muito mal para a idade levei com esta e fiquei ko porque sobre aquelas fotos passaram apenas 8 anos. 

14 de janeiro de 2013

Aparentemente

Parece que sou a imagem da serenidade.
A minha alma fica estupefacta cada vez que mo dizem. 
Dizem-mo muitas vezes.
A última vez que o ouvi foi da boca das enfermeiras da Ucin "vai tudo correr bem porque é uma pessoa muito tranquila e isso é optimo para os bébés". Por norma fico calada ou pergunto "acha?".
Não sei como consigo aparentar tal coisa pois dentro de mim é ebulição, efervescência, conflito a todo o instante, sempre sofri horrores com ansiedade, stress e já tive ataques de pânico.
Então isso quer dizer o quê? Que sou uma dissimulada?! 
Segundo uma análise psicológica é uma questão que se prende com a minha necessidade de controlo.
Então isso quer dizer o quê? Que sou uma controladora dissimulada!?



13 de janeiro de 2013

4 homens e uma coitada?!

"3 rapazes? coitada..."
"uma casa de homens...coitada!"
"tanto homem, devia ter tido pelo menos uma menina, coitada."
"ai coitada, tens de os educar bem senão..."
"3 rapazes e um marido? tanto trabalho coitada."
" 3 rapazes, 3 noras, coitada!"
"se tivesse sido um casalinho desta vez é que era, assim são só homens, coitada!"

Mas qual coitada?! Valha-me a santinha que já estou farta destas observações. Sou a mãe dos meus filhos e a mulher do meu marido onde está a "coitadice" disso?!  Fico a pensar que as pessoas que consideram que serei uma escrava a partir de agora por viver entre seres do sexo masculino devem ter vivido rodeadas de machistas. Felizmente tive e tenho o melhor dos exemplos, os meus pais sempre partilharam todas as tarefas em casa e não há nada que assuste o meu pai numa casa ou que o faça sentir menos homem. Do meu marido digo o mesmo, e ainda mais, é mais arrumado do que eu. Com estes exemplos não tenho que me assustar, os meus filhos crescerão compreendendo a normalidade de toda a gente fazer o que há a fazer numa casa para a manter organizada. 

E lamento mas não sinto falta alguma de uma menina cá em casa, o meu universo profissional é tradicionalmente feminino (isto dava um debate muito interessante), vivo rodeada de meninas, sapatilhas de ballet, tutus e cor de rosa.

E enquanto escrevi o ultimo parágrafo o meu filho mais velho esteve a dar-me 37 beijos na cara correspondentes à minha idade por isso para coitada até acho que sou muito bem tratada.

11 de janeiro de 2013

Animal que sou

Acaricio os meus filhos como os bichos, encosto a minha face à face deles, ao cabelo deles e ali fico fazendo festas dessa forma, a cheirá-los, a ouvi-los, a senti-los, nada me faz sentir mais a condição primária de animal que sou.


4 de janeiro de 2013

Frivolidades que saboreio

Para aligeirar que isto por aqui tem andado muito lamechas: entrei nas minhas calças de ganga pré-gravidez!!


31 de dezembro de 2012

Despedida

Despeço-me de um ano atípico, um ano que me levou às nuvens e me enterrou viva; um ano em que trabalhei muito numa metade e me vi obrigada ao repouso na outra; senti a maior solidão mas também fui abraçada de muitas formas por muitas pessoas; descobri novos super heroís; sonhei muito; chorei muito; esperei muito; houve despedidas e regressos, abraços feitos e desfeitos; inícios e desfechos; medo e coragem. Despeço-me dele da melhor forma.
Ano novo, vida nova nunca me fez tanto sentido.

30 de dezembro de 2012

Crónicas de uma nova vida #6

E eis que ao 38º dia de nascimento e às vésperas de Natal os meus pequenos grandes filhos tiveram alta. "Presente de Natal para esta mamã" disse o médico, e que presente! Um presente que, se por um lado me deixou radiante de felicidade, por outro me deixou paralisada de medo. Um medo terrível, não das fraldas, não das noites sem dormir, e do trabalho que adivinhava mas medo que algo nos fizesse ter de voltar para ali, para um sítio onde fomos a um tempo só esmagados de dor e muito felizes (penso que quem passou por uma experiência assim pode compreender esta ambiguidade). Foi dificil sair por aquelas portas como nunca imaginei que seria, senti que me cortavam outro cordão umbilical...
Agora estamos bem, muito trabalho, muito cansaço ( a exaustão que senti durante os primeiros meses do meu primeiro filho são peanuts comparados com isto), muiiiiito sono mas muito alegria ao olhar para estes meus pequenos heróis a crescer de dia para dia.
Difícil mesmo foi não ir a correr comunicar ao mundo a sua vinda para casa pois as orientações médicas foram muito claras: cuidado com as visitas, andar de colo em colo e ser beijocados por toda a gente, uma insignificância qualquer pode revelar-se uma grande complicação para estes bébés. Há medida que vão sabendo as visitas chegam mas são cautelosas e respeitadoras, tem sido fácil de gerir.
Não tão fácil é ter de tratar de 3 em simultâneo, tenho ficado sozinha amiúde e é a loucura: quando um chora, chora o outro; quando um tem fome o outro também; sujam as fraldas em sintonia; o mano quer atenção; demoram imenso a beber um pequeno biberon de leite devido à sua imaturidade na coordenação da sucção, deglutição e respiração; lava biberons; esteriliza biberons; ferve água; lava roupa; estende roupa; passa roupa and so on... às vezes de super-mulher a farrapo são 2 minutos de diferença mas por eles viro-me do avesso e atravesso o arame a fazer o pino e de olhos fechados e sei que vale a pena.

20 de dezembro de 2012

Preparar o coração

"Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieto e agitado: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... "
                                                                                                 Antoine de Saint-Exupéry, Le Petit Prince

Ou a explicação das "borboletas no estômago".

18 de dezembro de 2012

Mudança de planos

Já ia no plano B, acho que vou precisar de um plano C.
Reinvenção, reformulação, reestruturação, remodelação, reanimação são as palavras de ordem.

17 de dezembro de 2012

Sonhos a soldo

Só tenho um sonho, um único, condensado, para ser mais forte. Não é ter uma casa na praia, nem fazer compras em Nova Iorque, não é saltar de paraquedas nem conhecer nenhum actor. É um sonho simples, sem ambição ou glamour. Que a felicidade não seja finita, não se esgote em pequenos lapsos de tempo/espaço, que seja constante para poder acreditar nela sempre e mais. E a minha felicidade é tão simplória que se resume em ter a família junta, num ninho quente, para cuidá-la e mimá-la. Sonho pequeno portanto. Parece fácil, não? Não. À conta de crises, troikas e outras gangrenas muitas famílias se obrigam à separação e à distância e sonhos modestos e vulgares como o que apresentei transformam-se em demandas pelo Santo Graal. 

16 de dezembro de 2012

Novembro

E Novembro já passou mas está-me para sempre na pele, no sangue, nas entranhas.
Os meus pequenos filhos já nasceram há um mês.
 

15 de dezembro de 2012

Ver as vistas

As primeiras vistas deles sobre o mundo exterior


14 de dezembro de 2012

Crónicas de uma nova vida #5

Eu e todas as mães com os bébés prematuros internados temos "direito" a acompanhamento psicológico  lá na maternidade. Se no inicio me pareceu forçado agora não prescindo da conversa semanal que temos a sós. Na última sessão a psicóloga perguntou o que é que toda esta experiência e todo o processo que no presente vivencio poderá transformar na minha pessoa, no meu pensamento e no relacionamento com os outros. Entre outras coisas fiquei a pensar nos meus amigos. Nunca fui pessoa de grandes círculos de amizades, sempre se contaram pelos dedos de uma mão e são sempre fruto do tempo. Ora os amigos a sério não foram surpresa, não se revelaram de repente. Mas têm sido os melhores do mundo. Mesmo quando me viro para dentro e quero fechar a porta, mesmo quando as palavras não saem e o silêncio se instala não desarmam e não desistem, fazem-se presentes e constantes e mesmo sem braços me têm rodeado nos últimos meses num abraço quente e forte. São e estão e dou-lhes um valor incomensurável mais do que nunca, mais do que possam imaginar, mais do que consiga dizer para além do "obrigada". 

13 de dezembro de 2012

Portugueses (a cantar) no mundo

E foi assim, que há muitos anos, me foi apresentada...em neerlandês. E nunca mais larguei. Cristina Branco e Blof

10 de dezembro de 2012

A santa inquisição da amamentação

Já sabia. Agora confirmei. Muitas mães só amamentam para não sofrer o julgamento da sociedade. Sim, dizer em voz alta que não se amamenta ou que não se pretende amamentar dava direito a ser enterrada na praça pública só com a cabeça de fora e apedrejada por cima caso houvesse entre nós semelhante costume. E isto independentemente dos motivos pois que se os há fúteis (porque há) também os há efetivamente válidos. Fico doente com este radicalismo/fundamentalismo/fanatismo em relação à amamentação. De que é o melhor para o bébé não tenho dúvida, não me falta a informação a respeito, que é o mais económico também sei. Com o que não posso é com a pergunta recorrente do "tens leite?", "dás mama?", com o olhar que recebo quando digo que não e, pior, com o ficarem à espera de uma justificação que não entendo que necessite de dar acerca dos meus motivos. Não suporto a pressão a que estou sujeita para retirar leite com uma bomba (os prematuros até determinada idade gestacional não têm o reflexo de sucção) mesmo sabendo que a muito custo consigo tapar o fundo do biberon para dividir por dois bébés; não suporto os olhares inquisidores como se gostasse menos dos meus filhos por isso. É por amá-los que não quero que passem fome como passou o meu primeiro filho à conta da obsessão pela amamentação, não, não é por egoísmo e não é por receio de ficar com a mama assim ou assado. Já há tempos escrevi sobre o assunto, é tudo muito bonito quando tudo corre bem mas a mim a única recordação que tenho de dar mama é de frustração e tristeza e isso parece-me ir contra tudo aquilo que se quer transmitir a um filho na hora de o alimentar. Bom senso precisa-se. 

7 de dezembro de 2012

Crónicas de uma nova vida #4

3 semanas já. Vivemos aqui há 3 semanas. Temos partilhado o espaço com outros bébés que vimos chegar e já vimos partir, alguns ficam só umas horas, outros um dia ou uma noite, outros uma semana, depende do seu peso e das condições em que nascem. Dos que nos fizeram companhia mais tempo já nos despedimos de 5. Fico feliz por aquelas mães, gosto de ver como têm um olhar diferente mais vivo e brilhante, fico a imaginar como será aquele primeiro dia que passarão em casa junto dos seus e longe das máquinas e das batas. Fico um bocadinho triste porque as "mães acompanhantes" (nosso estatuto oficial) têm as mesmas angústias e preocupações, compreendemo-nos, falamos sobre as mesmas coisas, apoiamo-nos, encorajamo-nos e fico a sonhar com o dia em que também eu sairei daquelas portas com os meus filhos e entro com eles em casa, fechando assim este ciclo.

6 de dezembro de 2012

Reverso

Não é a percepção normal que se tem deste lugar. É um lugar de esperanças e alegrias. Normalmente. Mas a maternidade também é, sei-o bem agora, lugar de muita dor, muita tristeza e grandes solidões. É o avesso, o reverso, deste lugar.
Há a solidão ansiosa mas alegre dos homens que aguardam no corredor de acesso à sala de partos; há a solidão amargurada das mães que trazem ao mundo crianças sem uma palavra amiga, sem apoio da família ou sem a presença dos namorados/maridos/companheiros; a tristeza das ex-futuras mães que saem de esperança vazia... Conheço agora muitas destas histórias e todas me doem um pouco e é nos corredores apressados e populosos desta maternidade que sinto a maior solidão.

5 de dezembro de 2012

Crónicas de uma nova vida #3

Os melhores momentos que passo na UCIN são os do "canguru". Canguru é o nome dado à técnica de colocar o bébé prematuro só de fralda no peito nú da mãe e envolver depois os dois com a bata e assim ficar, reclinados num cadeirão, com a iluminação reduzida, durante duas horas. É mágico como durante essas duas horas o bébé fica completamente estabilizado e com os valores ideais (tensão, frequência cardíaca e respiratória, etc, pois continua monitorizado com os eletrodos) durante todo o tempo. É mágico como as duas horas passam num instante, o bébé dorme sereno e eu tenho o meu momento zen em que consigo esquecer tudo o resto e concentrar-me na respiração dele, no seu cheiro, na sua pele, e cantar-lhe baixinho. Foi mágico quando o pude fazer pela primeira vez, após 6 dias do nascimento a um e 7 a outro (é um dia cada um). Quando presente o pai também pode beneficiar desta experiência e é vê-los, maravilhados, com sorriso de orelha a orelha e em caso de gémeos pode estar a mãe com um e o pai com outro. Os estudos apontam que esta técnica promove de facto a estabilidade de algumas funções vitais do bébé, protege o vínculo materno-infantil uma vez que o bébé reconhece o som do coração e da voz da mãe, o cheiro da mãe e tranquiliza-o emocionalmente. Para a mãe (é comum a todas) é o melhor e mais ansiado momento do dia quando eles "saltam" da incubadora para o nosso colinho.

2 de dezembro de 2012

metamorfoses

Li-o há vários anos atrás, ficou-me marcado nessa altura, altura em que a vida se compunha de outros objectivos, desenhava outros caminhos e apresentava outras personagens.
"A última escala do Tramp Steamer" de Álvaro Mutis, peguei nele outra vez, foi o primeiro título que me ocorreu quando procurei algo para me acompanhar durante a hora de troca de turno em que sou obrigada a sair da UCIN. Releio-o e faço duas viagens numa só: a dos personagens que voltam a agarrar-me à sua história e a do tempo, do meu tempo, dos cheiros e músicas e espaços da época em que conheci aqueles personagens. Sei porque foi a ele que as minhas mãos procuraram: encerra um conto de nostalgia, solidão, distância e transição. Mostra como um acontecimento ou alguém pode, em pouco tempo, transformar um ser humano. Sei que o momento que estou a viver e que vem a desenrolar-se de alguns meses a esta parte me faz deixar muita coisa de mim para trás, tenho como que uma segunda pele, sei que nunca mais serei a mesma pessoa nem fisica nem afetiva nem psicologicamente. E não sei se isso faz de mim melhor ou pior pessoa, sei apenas que diferente. 

30 de novembro de 2012

Crónicas de uma nova vida #2

Vivo agora num outro mundo, com outros sons, cheiros, pesos e medidas. Um mundo liliputiano onde a diferença se faz grama a grama, mililitro a mililitro e onde os heróis não se medem, mesmo, aos palmos.
Vivo, neste novo mundo, não só a minha como as outras histórias que partilham o espaço daquela UCIN, vibro com cada grama mais que o A ganhou, com a vitória do B que finalmente respira sem apoio ou com a C que já mama.
Já não tenho nome, sou, na UCIN, nos corredores, no refeitório, na secretaria, na portaria, daquela maternidade, a mãe dos gémeos, e vivo agora numa nova dimensão onde como, durmo e tomo banho porque é preciso, e mais necessidades, premências ou urgências não tenho, só preciso de lá estar.

Os meus meninos, tão pequeninos e tão grandes, tão frágeis e tão valentes, fizeram hoje duas semanas de nascimento e continuam no bom caminho. 

28 de novembro de 2012

De que cor são os beijos?

"- E sabes? Muitas vezes os beijos são também de um lilás escuro e misterioso. São aqueles que nos consolam quando estamos tristes ou confundidos e não sabemos que fazer ou para onde ir e nos dizem: "não te preocupes, que eu vou estar sempre ao pé de ti"."
                       

Extracto de "Mamã de que cor são os beijos?", Carla Pott/Elisenda Queralt

Hoje

Quem me ensinou a ser mãe faz hoje 6 anos de vida.

26 de novembro de 2012

Crónicas de uma nova vida # 1

Não consigo neste momento falar pensar ou sentir para além disto e preciso de exprimir-me de alguma forma em algum recanto. Os meus filhos mais novos começam a sua vida numa UCIN (Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais). Nos últimos tempos têm passado várias reportagens sobre a prematuridade nos noticiários mas efetivamente muito pouco ou nada se consegue mostrar do que é esta realidade. E a realidade é que é avassalador, avassalador, avassalador (é a palavra que ecoa no meu cérebro a cada instante). É avassalador em primeiro para o recém-nascido que não só passa do seu casulo aquático para um ambiente estranho antes de estar preparado como passa para um ambiente no qual não reconhece as vozes nem o toque  que lhe são familiares e onde tem de lidar com a dor física por força de entubações, agulhas, sondas, ventiladores etc. É avassalador para a família no geral e para a mãe em particular face à impotência que se sente perante a fragilidade de um filho.

Dia 1 - Os meus filhos nasceram com 2 minutos de intervalo, apenas lhes ouvi um choro tímido e me foram mostrados num relance na passagem entre as mãos do obstetra e a incubadora, do outro lado da porta. Deles só ouvi do doutor "são giros e são iguais". A anestesia acalmou a ansiedade. 

Dia 2 - Complicações pós-parto e não pude ver os meus filhos. Não sei o que me fez pior se lidar com a dor fisica se com a dor de sentir os meus filhos "ao abandono" num ambiente estranho. 

Dia 3 - Finalmente a primeira visita aos meus filhos e o embate com a realidade de uma UCIN. O abalroamento emocional não tarda. Os meus pequenos filhos estão rodeados de máquinas, com eletrodos, cateters, vendas, tudo ligado e montado nos seus corpos minúsculos, rodeados de pessoas que estão concentradas e preocupadas com a sua evolução/tratamento/bem-estar como tem de ser mas que não sabem lidar com a ansiedade da mãe e com a necessidade de entender o que se passa. 

Dia 4 - Um dos meus filhos tem uma agulha espetada do lado esquerdo do torax, "foi uma pequena bolha no pulmão, mas agora está estável", disseram mas já os ouvi muito longe tal foi a vertigem ao perceber o sofrimento do meu pequeno bébé a quem só queria agarrar e proteger. Levaram-me embora de volta para o quarto com a desculpa de que iam fazer um rx torácico e era melhor eu não estar presente. Mais uma vez a sensação devastadora de impotência. Chorei todo o dia, e toda a noite.

É-me muito dificil pôr por palavras os sentimentos dessa primeira semana: de cada vez que entrei nas portas decoradas com o Winnie the Pooh e o Mickey era tamanha a intimidação que não consegui fazer as perguntas que queria, tocar nos meus filhos como queria, falar-lhes e cantar-lhes como desejava. Intimidação face às máquinas e apitos e fios e registos e principalmente face àqueles profissionais que têm a vida dos meus filhos nas mãos e nos olhos.

Tive alta ao fim de uma semana de internamento e de 5 dias após o parto.
Sair da maternidade sem eles foi terrível, foi como se os abandonasse, chegar a casa sem eles foi outro choque incomensurável.
Nasceram fez hoje 10 dias, desde que tive alta vou de manhã bem cedo para a maternidade e fico até às 19h00 (apesar de todas estas novas rotinas, as rotinas do meu filho mais velho têm de ser respeitadas), já lhes toco e pego e falo e canto, mas também choro, sem eles verem .
Os meus filhos não nasceram no limite como muitos outros, hoje estão estáveis e estão a ganhar peso mas, e como me dizem daquelas portas para dentro, é um dia de cada vez.

20 de novembro de 2012

novas

pronto foi mais cedo os manos v. e v. ja ca estao.
resumo que escrever no telemovel nao me agrada e nao sei quando irei para casa: quarta feira internamento  na maternidade, quinta decisao medica de cesariana, sexta, dia 16 com 31 semanas  os  pinipons saltam da mae para a incubadora e la estarao durante os proximos tempos para continuarem a crescer. muita angustia, muita ansiedade mas muita fe nos meus pequenos herois. coracao de mae sofre...

9 de novembro de 2012

O amor divide-se ou multiplica-se?

Há muito que preciso de verbalizar os sentimentos que me inquietam agora que serei mãe de novo, ou melhor, serei uma mãe partilhada. 
Não sei se este é um sentimento comum ou não mas à alegria de esperar mais dois filhos junta-se um medo terrível, um duplo medo: medo de que o meu filho, único até agora, a quem durante 6 anos foi devotada toda a atenção, se sinta menos amado, que sofra, que crie ressentimentos e medo de não ser capaz de amar tanto os irmãozinhos como amo e sempre amei a ele, desde o momento em que soube que ele já existia dentro de mim. Acredito que o amor não se divida, antes se multiplique mas, não tendo referências pessoais por ser filha única, não consigo evitar esta dualidade de emoções, estes receios. São devaneios tresloucados meus? Ou, antes pelo contrário, passa pela cabeça de todas as mães?

7 de novembro de 2012

Perguntas dificeis

Passada a fase do querer saber como são feitos os bébés, como vão para a barriga e como saem de lá, as perguntas difíceis do meu filho são agora, e pelo menos para mim, as verdadeiramente difíceis:

"Mamã como é que Jesus está no meio de nós se ele morreu?"
"Mamã como é que as pessoas morrem e vão para o ceú se tudo o que vai para o ar cai se não tiver para-quedas?"
"Mamã o que é o espírito santo? E o que é só o espírito?"
(isto é só um reduzido exemplo das suas questões teológicas e metafísicas...)

E não há nada que o cale enquanto as respostas não fizerem sentido lógico na sua cabecita de 5 (quase quase 6) anos. Como se fosse fácil explicar a fé e o abstrato de forma lógica!

3 de novembro de 2012

A espontaneidade da gravidez

À pergunta : "Foi uma gravidez espontânea?", feita na maternidade eu e Mr. H segurámo-nos para não rir e respondemos qualquer coisa como "Bem...precisámos um do outro..". Sim porque da primeira gravidez nunca ninguém nos perguntou tal coisa e de gravidezes espontâneas a história só reza uma e mal contada...
A boa disposição instalada de parte a parte lá veio a contextualização: o aumento do número de gravidezes gemelares provem do maior número e melhoria das técnicas de reprodução clinicamente assistida, logo, interessa aos técnicos de saúde perceber se é o caso da nossa ou se foi obra e graça da natureza. Depois disto a questão já se repetiu por diversas vezes (em laboratórios, ecografias, outras consultas...) e já pude responder calmamente que sim, foi uma gravidez espontânea, muito espontânea.

Polar Post Crossing 2012

Este ano e porque, desconfio, estarei fora de circulação nessa altura a tomar conta de 3 rapazes em simultâneo (4 vá contando com Mr. Husband) e /ou ainda na maternidade, não me comprometerei mas como é somente a melhor celebração natalalícia da blogosfera, promovida pela Pólo Norte do Quadripolaridades, aqui fica o destaque.



Para mais informações passar por Aqui.

31 de outubro de 2012

Halloween vs "bolinhos e bolinhós"

Se há "festividade" (ou pseudo-festividade) à qual não consigo ver piada nenhuma é ao Halloween e tenho andado os últimos dias a desviar o assunto e a desejar que o meu filho não se lembre de pedir para vestir-se de esqueleto, fantasma ou zombie... 

Quando era miúda ia com os meus primos cantar os bolinhos e bolinhós de porta em porta na rua da minha avó, um levava a abóbora com uma vela acesa dentro, outro o saquinho onde carregávamos os doces, nozes e dinheiro que nos davam e todos cantavamos. Quem dava levava com um "esta casa cheira a vinho aqui mora algum santinho" (?! pois, nunca percebi) ou "esta casa cheira a broa aqui mora gente boa", quem não dava era enxovalhado com um "esta casa cheira a alho aqui mora algum espantalho", mas por norma era uma noite lucrativa e animada porque nos cruzávamos na rua com outros grupos de crianças e os adultos ficavam em casa à espera das visitas alheias e do regersso dos seus.
Se, no entanto, o meu filho resolvesse partir à aventura com os seus amigos a cantar os "bolinhos e bolinhós" de porta em porta na noite escura, eu deixava? 
No way, muito perigoso... 

26 de outubro de 2012

Felizes os ignorantes

Em stand-by para o mundo e de frente para uma janela à chuva chego a conclusões muito aborrecidas.

Gostava mesmo de saber o que faz daquelas pessoas muito seguras e confiantes pessoas tão seguras e confiantes, que sabem sempre que o que fazem fazem muito bem (e algumas fazem mesmo) porque eu cá parece que sei cada vez menos o que fazer, como fazer e desconfio mesmo que cada vez mais não sei fazer nada. Quando digo isto não me refiro só a pessoas jovens, bonitas, com cargos interessantes ou talentos estrondosos, com sucesso ou visibilidade, reconhecimento ou dinheiro. Há pessoas muito seguras e confiantes, certas daquilo que sabem fazer nas mais diversas ocupações, de todas as idades e condições sociais. A minha avó toda a vida soube que ninguém sabia tratar da roupa melhor do que ela (e não). Outros têm talentos e não duvidam deles e essa certeza deve ser boa, deve ser reconfortante. Já houve tempos (há uma década mais coisa menos coisa) em que também tinha alguma confiança e algumas dessas certezas mas hoje,  quantas mais pessoas e mais vidas conheço, mais certa estou de que era apenas ignorância.



23 de outubro de 2012

28 e 1/2

Vinte e oito semanas e meia de gemelar já cá cantam que é como quem diz, já me fazem rebolar. Com consulta na 5ª feira a única questão que me apetece colocar é: posso hibernar profundamente até ao dia D?
Pois com muita pena minha não consigo vir aqui deixar um post todo bonito como aqueles que eu vejo (que são bonitos mesmo) com uma barra de contagem das semanas e fotos das roupinhas e dos berços e essas fofuras todas.
Claro que, mesmo em modo tartaruga, também vou preparando o ninho e o duplo enxoval, mas estou  num estado muito pouco delicodoce, deve ser da azia...  Como este canto ainda vai servindo para expiar os meus humores não faz mal e se pudesse hibernar, hibernava!





19 de outubro de 2012

Porque dormir é essencial

Ingredientes:

  -1 comprimido de alprazolam (devidamente receitado pelo obstetra que não sou inconsciente);
- uma garrafa de água;
 -tv ligada e respectivo comando;
 -lenços de papel para quando chorar de rir ou chorar de pena ou chorar de dor ou chorar por chorar (grávida que se preze é sempre um bocadinho bipolar; grávida de gemeos é bipolar ao cubo);
 - 6 almofadas de diferentes formas e feitios;

Manter-se na posiçao sentada, ligeiramente de lado, com 3 almofadas nas costas, outra para apoiar o braço, outra no meio dos joelhos e outra para apoiar a barriga.
Tomar o comprimido com água e reservar o resto para a sede nocturna.
Colocar ao alcance da mão direita o comando da tv para o zapping.
Verificar o stock dos lenços de papel.
Apagar a luz e esperar o tempo que for preciso.

Esta é a receita que por aqui se segue todas as noites na tentativa de dormir qualquer coisa. Acaba sempre por fazer efeito embora às vezes já seja manhã...

18 de outubro de 2012

Alguém chamado saudade

Da(s) causa(s) ao efeito

Eu deprimo
Tu deprimes
Ele deprime
Nós deprimimos
Vós deprimais
Eles deprimem


Estou farta.

14 de outubro de 2012

Estado de graça ?!

Em jeito de desabafo: na minha 1ª de gravidez e saltando pequenas contrariedades posso dizer que foram 40 semanas de verdadeiro estado de graça, desta vez, e já lá vão 27 semanas, tem sido um estado sem gracinha nenhuma, é mais um estado de nervos.

Para aliviar o negativismo: esta coisa de ter de fazer repouso forçado, permitiu-me, com ajuda da Foxlife,  "limpar" Downtown Abbey  T1 e T2 e estar preparadissima para a T3 a começar amanhã.

12 de outubro de 2012

Look do dia

ou aquilo que o meu filho vê quando me olha...

Descurou alguns pormenores mas focou-se no essencial.

7 de outubro de 2012

Sinais decifrados

Pois afinal os sinais acerca dos quais fiz a última publicação eram premonitórios das mudanças. Há uma grande probabilidade deste pobre e inconstante blogue passar a conter (não sei com que regularidade) muito "material" de puericultura e de (in)sanidade materno infantil já que há seis meses que estou num estado interessante a dobrar.
Pois é para quem esperava algumas mudanças na vida o destino não podia ter feito melhor e presenteou-me com mais dois homens na minha vida a juntar aos dois pré-existentes. Dois futuros homens que para já são ainda uns pinipons que não pesam sequer 1kg cada mas que se divertem imenso a fazer acrobacias e a deixar a mãe KO de corpo e mente.


18 de março de 2012

Sinais

Sei que algo está ou precisa de mudar na minha vida quando sonho com casas. E se tenho sonhado com casas... Sempre diferentes, sempre com uma infinidade de divisões, muitas com portas secretas que levam a compartimentos que por sua vez têm outra porta e por aí adiante numa interminável sequência de descoberta e surpresa. Época de mudanças, é certo, só não sei se visíveis, invisíveis, físicas, químicas ou abstractas.

7 de março de 2012

Rei morto rei posto

Morreu-nos o João, João o peixe dourado (que depois ficou castanho).
Na hora do serviço fúnebre que lhe fizemos, com direito a enterro no vaso da maior planta cá de casa, o meu filho resolveu dizer umas palavras a Jesus:
(com ar muito compungido) " Jesus fala com o teu pai para acabar a crise para podermos comprar outro peixe". 
E pronto, eu à espera de drama com choro, baba e ranho ( como eu encarava estas situações com a mesma idade) e dei com esta visão tão pragmática da coisa!!

28 de fevereiro de 2012

...

A mediocridade assusta-me, o medo da mediocridade paralisa-me.

15 de fevereiro de 2012

6 de fevereiro de 2012

Pensamento da manhã

Quais automóveis com bancos aquecidos quais quê, volante aquecido isso é que era uma grande invenção!!!

31 de janeiro de 2012

Viciante

Gonçalo M. Tavares
«O atractivo era este: em redor de uma rotunda ninguém volta atrás, ninguém se engana, ninguém tem de assumir o erro e fazer inversão de marcha.
A vida, apesar de tudo, é fácil. Numa rotunda.»

28 de janeiro de 2012

Bom fim de semana

Eu que não sei desenhar uma linha não imaginava que aos 5 anos se pudesse fazer isto. As mães são sempre suspeitas mas eu adorei!!!

O filho preferido

Aqui há tempos a "Visão" publicou uma matéria acerca dos filhos preferidos, assunto "tabu" para os pais de mais do que um filho. Ora a matéria deixou-me inquieta. Eu, filha única, de pais babados, nunca me sentindo a filha perfeita sempre soube ser a preferida, claro está. Como mãe de um filho único que é a luz da minha vida nunca me ocupei com estes pensamentos mas angustia-me a simples ideia de não amar tanto um segundo filho como amo o meu primogénito. A comparação vai parecer ridícula mas é a única que tenho: tive duas cadelas durante anos (que morreram de velhice) e tinham personalidades muito distintas. Se me perguntam de qual gostava mais eu não sei responder gostava de ambas por motivos diferentes mas com peso igual, não tinha uma preferida. Será que com os filhos não será assim? Será porque os pais têm o desejo de se concretizar através dos filhos e preferem o que mais proximo disso estiver? Será que preferem o que se parece mais consigo? Será que esse estudo é uma treta e pode ser assim como pode não ser nada disso?
Bom, à minha inquietação o meu filho respondeu.
Habituado a que eu lhe diga "És o meu filho preferido" (não havendo mais nenhum nunca me pareceu mal) repensei e quando ele falou na vontade de ter um mano perguntei "então e depois já não posso dizer que és o meu filho preferido..." ao que ele despachou "claro que podes, dizes aos dois", "Como?" perguntei "quando estiver contigo digo que és tu e quando estiver com ele digo que é ele?", "Não, mãmã, dizes assim: meus queridos vocês são os meus filhos preferidos!"

É sábio ou não?! E doce, muito doce.

26 de janeiro de 2012

momentos de auto-confirmação


Às vezes é uma palavra outras um determinado gesto outras uma expressão no olhar ou um sorriso ou um silêncio. Às vezes algo me faz parar nos meus pensamentos a mil à hora, no meu olhar clínico para pés, pernas, costas, braços, mãos e cabeças, nas intermináveis contagens da música, na procura da sincronização completa e na precisão e "limpeza" dos movimentos. Há momentos assim, em que me revejo e descubro, em certas alunas, em que sei exatamente de que palavra precisam, de que olhar precisam, de que tipo de estímulo precisam naquela situação e que pode ser diferente do que precisaram noutra. É assim que sei que amo o que faço e que ultrapasso os momentos de desanimo (que os tenho como todos) e quando o retorno são os olhos brilhantes e os movimentos cheios de atitude renovo a confiança de que o faço bem e que este é o meu caminho.

12 de janeiro de 2012

Não havia necessidade...



Eu, viciada confessa de tv, que a tem ligada desde que esteja em casa só pela companhia mesmo que não olhe para ela nem saiba o que está a dar, que sou da geração dos dois canais de tv, que cresceu a seguir religiosamente a novela brasileira no final do telejornal, sinto-me indignada com o que a TDT representa para muitas pessoas neste país. Primeiro porque ainda não compreendi a necessidade da alteração, mesmo. Depois porque para muitas e muitas pessoas e por variadas razões, a televisão, (entenda-se os 4 canais) é de facto a sua única companhia durante todo o dia e é de uma tremenda injustiça que para alguns, onde o descodificador não resolve porque o sinal é muito fraco, a alternativa seja comprarem uma parabólica (quando até o dinheiro para a farmácia e a mercearia é contado) para continuarem a ver os mesmos 4 canais.
Mas, pergunto eu na minha ignorância, isto era mesmo necessário? E porquê? E em benefício de quem? É que eu às vezes não percebo mesmo nada...

4 de janeiro de 2012

365

Gosto de ver aqueles projetos que levam alguém a comprometer-se com algum objetivo diário durante um ano e apesar de ter muitas ideias sei que nunca conseguirei embarcar numa coisa dessas. A verdade é que também não me faltam compromissos diários a cumprir... mas acho interessante e aprecio a determinação e auto-disciplina de quem elabora esses planos.

O que tenho por garantido 365 dias/ano são a preguiça matinal (o monstro na minha vida) e a tentativa de quebrar os meus próprios recordes de chegar a casa no menor tempo possível (dentro de limites razoáveis com certeza).

30 de dezembro de 2011

Frustrações de uma (péssima) dona de casa

Vivo rodeada de mulheres prendadas: elas fazem biscoitos, bombons, tortas, bolos, cupcakes, cozinham carne, peixe, aves, marisco e o que mais quiserem, elas bordam, costuram, pintam, têm a casa imaculada, nunca estragam a roupa na máquina e essas coisas. Eu bem me inspiro (vejo Masterchef e tudo) mas o resultado é sempre a sobremesa que sobra na íntegra (ou quase)... A frustração é grande mas aceito-me finalmente como especime incompleto que sou e desisto (ainda fico a ganhar no que se poupa em ovos, farinhas e açucares, gás e eletricidade!).

Pronto, é a minha reflexão de fim de ano!

28 de dezembro de 2011

Em 2012 dançar conforme a música

Para o tão agoirado 2012 o que desejo é presença de espírito e bom humor para todos!

22 de dezembro de 2011

Polar Postcrossing News


Chegou o meu postal de Natal!! Obrigada Sílvia, gostei imenso!
Que saudades tenho dos tradicionais postais de Natal que por esta altura chegavam todos os dias com o carteiro!

21 de dezembro de 2011

Deprimida ou deprimente?

Dou por mim a devorar amendoins e a ver um programa de noivas a experimentar vestidos (de noiva) enquanto a minha cabeça fica tão vazia, tão vazia que faz eco... é grave.

12 de dezembro de 2011

Dom

Há musicas que de tão exploradas nos circuitos comerciais rapidamente cansam e perdem o interesse mas esta voz nunca me cansa. Adoro este album, 21, e a postura e presença desta cantora.


11 de dezembro de 2011

Fardos

Pontas soltas; gavetas encravadas; palavras que ficaram por dizer e por ouvir. 
São carga cujo peso o tempo não alivia, apenas distrai.
Gosto de imaginar que algures numa qualquer dimensão espacio-temporal tudo se arruma, clarifica e esfuma.


30 de novembro de 2011

29 de novembro de 2011

Maternidade

Ontem, a propósito do 5º aniversário do meu filho, uma amiga disse-me que eu era já uma mãe experiente. Discordo. Como posso eu ser experiente perante desafios, fases e questões novas que surgem a cada passo? O meu filho tem uma mão cheia de anos e eu uma mão cheia de maternidade, cresço e aprendo com ele ainda que com papeis distintos. Não, não tenho qualquer experiência, ser mãe não tem receituário nem manual, basta-me a intuição para tentar encontrar o melhor caminho na melhor e mais complexa tarefa que conheço.

15 de novembro de 2011

As minhas memórias

 Para cada uma das memórias que guardo tenho um tema musical. Talvez seja boa ideia fazer uma compilação (Cat's soundtrack) para as preservar  como uma espécie de seguro contra perdas irreparáveis.

25 de outubro de 2011

Tempo de qualidade a baixo custo

Se os museus nacionais (ainda) são grátis aos domingos e muitos outros museus têm atividades para a família e/ou para as crianças ao fim de semana a preços muito simpáticos porque ficam sempre a perder para o Macdonalds do centro comercial, mais caro e menos proveitoso? Se é pelo almoço também se podem preparar umas otimas sanduiches em casa para comer no parque... Se é pelo divertimento, estão  a substimar a inteligência e criatividade das crianças. 
Não será a crise uma oportunidade para repensar a forma como se passa o tempo em família ou sou eu com utopias risiveis? 

Sugestões em Coimbra:
Museu Machado de Castro - Criptopórtico romano (os miúdos adoram descobrir)

Museu da Ciência - atividades ciencia em familia por 4Euros por adulto e onde se aprende imenso a brincar aos cientistas

20 de outubro de 2011

à primeira audição

Fiquei encantada com esta voz aos primeiros acordes.
Luisa Sobral.


14 de outubro de 2011

Os Miseráveis

Desde ontem que "Les Miserables" ecoam no meu espírito em especial esta marcha, penso que me afugenta o pessimismo... É como se diz: "quem canta seus males espanta".
E não sou sindicalista, na verdade nem sindicato existe para tantos como eu.

30 de agosto de 2011

Ainda não

As aulas estão prontas; músicas novas; ideias alinhavadas; material organizado.
Está tudo preparado para o arranque.
Tudo menos eu (que ainda estou à espera do calor, da praia e de férias a sério...)

26 de agosto de 2011

Interessante



Vale a pena ouvir até ao final e pensar na mensagem que fica.

25 de agosto de 2011

Pobreza

Há crianças da idade do meu filho das quais tenho imensa pena. 
Coitadinhos, usaram as melhores (entenda-se as mais caras) fraldas do mercado; o biberon anti-tudo; foram todos besuntadinhos com excelentes cremes (do cabelo, da cara, dos lábios, do corpo, do rabo, etc, etc); comeram as papas que o sr. doutor pediatra recomendou; vestem roupas e calçam sapatos com nomes pomposos de preferência com a etiqueta bem visivel; sorriem muito porque bebem coca-cola, comem gomas e pastilhas elásticas e porque têm pais fixes que os deixam viajar no carro à-vontade, sem cintos e amarras e alguns até conduzem (só até ali ao café) ao colo do pai ou da mãe!
 Coitadinhos, falta-lhes tudo... 

28 de julho de 2011

A justiceira que há em mim

Dou por mim a imaginar vestir-me toda de preto, colocar uma longa cabeleira ruiva e dentro da carteira só um punhal, reluzente. Imagino-me a rodear um carro topo de gama e com calma, estilo (nunca se sabe quando está uma câmara apontada a nós) e precisão cirúrgica, furar-lhe os quatro pneus, daqueles muito bons, muito caros.

Acho que vi muitos episódios d'O Justiceiro e da Missão Impossivel em criança

26 de julho de 2011

Coisas que estranho

Há pessoas que conseguem ouvir música (mesmo da que gostam) sem mexer um único dedo, sem levantar uma sobrancelha... É-me fisicamente impossível, já tentei.

11 de julho de 2011

Sentido único

Não há volta a dar. Há momentos que não se apagam nem são passíveis de compensação à posteriori. Vivemos numa estrada com sentido único, podemos procurar a rotunda mais próxima para inverte-lo mas o conta-kilometros não volta atrás. 

10 de julho de 2011

(In)seguranças

Quando só e em locais públicos caminha rápido, passos firmes ( sabe-se que está a chegar sem ainda ser vista), direita, não vê ninguém e só pára no seu destino, vá passear, fazer compras ou trabalhar.
Talvez isto se confunda com arrogância mas é só um camuflar as inseguranças que as fragilidades só se permitem portas dentro.

9 de julho de 2011

Morrer de amor

"O teu tio-avô, aquele que morreu de amor,..." diz-me quando dele quer contar alguma coisa. Desde sempre ouço deste irmão do meu avô que, ainda jovem, morreu de amor. Pergunto-me se alguém morre de amor e acho que sim que se pode dar a vida por amor de alguém. Mas não ele que ele morreu foi de desamor. Ou deixou-se morrer por fora depois da traição da amada o ter morto por dentro. Mal amado deixou de se amar, deixou de comer, quedava-se à chuva e ao vento, abriu o corpo e a alma à doença e deixou-se ir.
Será para sempre "o que morreu por amor" ao que eu invariavelmente contradigo que ele morreu foi de desamor. 

1 de julho de 2011

Nos baixos do Mondego


Aqui onde moro o rio está mais próximo do seu destino, o céu enche-se de cegonhas, corvos e milhafres e há muitos verdes, amarelos e castanhos.

Às vezes apercebo-me disto. E fico grata.

28 de junho de 2011

Seguro

Há quem ponha as pernas ou as mãos no seguro eu cá punha a paciência, a energia e a criatividade.

22 de junho de 2011

Presente

Este, das minhas alunas, deixou-me com um grande sorriso e veio do Gato Quadrado

20 de junho de 2011

gritos mudos

Se há dias em que me apetece gritar hoje é um deles.

Preciso de um espaço para gritar por estar farta, fartinha, de gente rude, egoísta e mal educada que estaciona em cima do passeio havendo centenas de lugares de parqueamento só para estar à sombra ou que "estaciona" a ocupar dois lugares só porque para ir ao supermercado, ao multibanco ou ao bar não vale a pena maçar-se e os outros que se lixem. Fartinha porque isto se passa todos os dias à minha porta, porque apesar de eu ter o cuidado de estacionar por forma a ocupar apenas o espaço que me compete, fico muitas vezes impossibilitada de o fazer porque alguns se consideram muito "volumosos", ou isso ou não sabem estacionar.

Apetece-me gritar por conviver com a ingratidão de outros que precisam sempre da disponibilidade a atenção de toda a gente mas não tem uma palavra de apoio ou incentivo para ninguém, para quem nada existe para além do seu umbigo e das suas necessidades e da sua importância.

Grito porque queria ter aprendido a virar a mesa; bater o pé; dizer não; reclamar; exigir satisfações; virar-me do avesso. Mas não, nem aqui, não sai, nada.


É tudo por hoje.

15 de junho de 2011

Meu universo

Pelo olhar (e objetiva) do meu marido.





26 de maio de 2011

Das expressões associadas à morte a que mais me agrada é Partiu desta para melhor. Faz-me sempre imaginar uma porta aberta...

22 de maio de 2011

Non sense

Nem sei como começar isto de tão palerma que é... 
Ouço na rádio qualquer coisa como: " nunca foi tão divertido tratar dos seus assuntos, venha à loja do cidadão (não sei de onde, acho que num centro comercial qualquer)" e fico logo a visualizar a cena: todos os funcionários das repartições lá representadas, muito bem dispostos, a dizerem bom dia e boa tarde com um largo sorriso e a serem correspondidos pelos utentes com a mesma simpatia e boa educação; uma senhora voluntariosamente oferecendo chá, café ou limonada e ainda revistas para minimizar os incómodos da espera; animadores para entreter as crianças (quiçá com balões e pinturas faciais); tradutores de várias línguas para apoiar os estrangeiros nos serviços dos SEF; música ambiente... Que divertido, é que assim sendo deve até valer bem a pena ir até lá (nem sei se é no norte ou no sul) de propósito tratar de qualquer assunto pois perder o dia por perder que seja com alegria e satisfação!!! 

16 de maio de 2011

História de uma freira

Vi pela primeira vez com os meus pais ainda mal acompanhava as legendas, vimo-lo num serão televisivo. Apesar da pouca idade marcou-me de tal forma que nunca mais esqueci algumas das cenas e, não me lembrando bem do argumento, não percebia o que me tinha tocado tanto, só sabia que era um filme lindo.
Revi-o recentemente e compreendi perfeitamente o que tanto me impressionou. Não terá sido tanto a interpretação da Audrey Hepburn (excelente aliás) mas o carácter da personagem da história (Sister Luke). É o que sempre me impressiona e me inquieta de certa forma, pessoas que são fieis aos seus princípios até às ultimas consequências, pessoas que têm firmeza de carácter, que seguem as suas convicções ultrapassando todos os obstáculos que sabem que têm um caminho a percorrer e que o fazem sem vacilar, até ao fim da linha. E isto pode ser um tema controverso pois se serve para percursos nobres e altruístas serve também para legitimar actos cruéis de terrorismo associados a radicalismos de qualquer natureza e por isso eu digo que se por um lado me fascina por outro me inquieta. 
História de uma freira, (1959) de Fred Zinnemann com Audrey Hepburn e Peter Finch








28 de abril de 2011

Contrastes

Gosto quando os contrastes convivem pacificamente.

25 de abril de 2011

Desconfio

sempre dos excessivamente moralistas. Penso para os meus botões se não será uma manobra de diversão para ocultar uma qualquer grande imoralidade.

20 de abril de 2011

Não se acanhem

A propósito deste post agradeço que me chamem a atenção quando tiver um erro, agradeço mesmo. É que o título esteve mal escrito (preseverança em vez de perseverança como deve ser) até eu dar conta hoje.

19 de abril de 2011

Ideias ao vento

Às vezes dá-me uma grande vontade de ir recomeçar tudo noutro sítio qualquer ( e não é por causa do FMI) e depois de ver isto no Crónica das horas perdidas Amesterdão pareceu-me uma excelente ideia. À parte o frio (que para quem não é fashionista é fácil de contornar) tudo me pareceu bem desde a descontração das pessoas, à arquitectura, passando por todo aquele queijo... Feliz ou infelizmente tenho raízes nos pés e um espírito muito pouco aventureiro (pois, pessoas como eu não vão a lado nenhum no sentido mais abrangente da expressão) e como tal só posso sonhar com, quem sabe um dia, ir até lá de férias.

11 de abril de 2011

Há muito

muito tempo atrás ele emprestou-lhe Wim Mertens, ela emprestou-lhe António Pinho Vargas. E foi assim que começou.

6 de abril de 2011

S/T

Inqualificável, intolerável, intratável, inconcebível, inaceitável, incompreensível, impensável, imperdoável.

(É só o que me passa pela alma neste momento)

5 de abril de 2011

Destinos

Ontem quis contar-me a sua história, dispus-me a ouvir. 
 Foi há mais de trinta anos, tinha vinte anos, estava noiva, o vestido feito e uma casa quase pronta, o noivo, sem que se saiba ainda hoje o porquê, suicidou-se. Foi para a cidade trabalhar, para esquecer. Tratou da casa e dos filhos dos outros, quis esquecer-se do futuro para não lembrar o passado. A sua ex-futura casa continua lá paredes de tijolo ao alto, diz-me. Passou uma década até conhecer o que viria a ser seu marido. Era viúvo de uma mulher que pôs termo à vida, homem amargurado pelo peso da culpa da solidão que a terá levado. Ficou com um filho pequeno. Quando se conheceram reconheceram-se na dor, entenderam-se. Casaram e ela diz não poder ter melhor companheiro de viagem, estavam afinal guardados um para o outro. Ouvindo isto só posso ficar certa de que para tudo há uma razão muitas vezes insondável.
Olho para ela, mulher simples, sem qualquer adorno ou vaidade feminina e percebo como podemos passar anos ao lado de alguém sem imaginar as histórias de vida que terão para contar. 

31 de março de 2011

Talento e Bom gosto

Gosto de ter objetos personalizados e quando encontro alguém talentoso e com indiscutível bom gosto como é o caso da Zita não hesito.

Desta vez foi uma capa para o meu portátil uma vez que vou de viagem e tenciono levá-lo no meio da roupa.
Chegou e dei-lhe logo uso, escusado será dizer que foi alvo dos maiores elogios. mas como uma imagem vale por mil palavras toca a confirmar.


Perseverança

Adoro ver o meu filho argumentar por algo que quer ou não quer fazer, adoro ver como tenta conseguir o seu objectivo até esgotar todas as possibilidades, até constatar que não cedo, de todo. Doi-me vê-lo frustrado mas agrada-me que dê luta, que não se deixe ficar ao primeiro não. Podia chamar-lhe teimosia mas prefiro perseverança.